Meu sabático de 100 dias – Capítulo 3 – Turistando no Marrocos

Meu sabático de 100 dias – Capítulo 3 – Turistando no Marrocos

E no primeiro dia real oficial de viagem o sol mal nasceu lá fora e eu já pulei da cama para começar a turistar no Marrocos. Mas antes foi hora de “experimentar” o meu café da manhã marroquino com direito a suco, chá, ovo, pão, manteiga geléia… e isso porque me hospedei em um hostel super barato (For you Hostel). Comi rapidinho, guardei as sobras pra mais tarde (coisas de mochileira) e em questão de segundos começava a aventura. Mal sabia eu que tinha chegado a hora de fazer uma coisa que sempre tive medo: subir numa moto. Foi minha primeira vez em uma moto (aliás, no primeiro mês deste sabático eu já tinha feito mais de 50 coisas pela primeira vez como já contei neste post aqui). Confesso que fui pega de surpresa, pois achava que eu iria a pé até o grupo do passeio, mas falaram pra eu subir na moto e eu só fui: tremendo, sem capacete e rezando pra sobreviver. Quem lê aqui pensa que eu fiz a motoqueira cruzando a cidade numa Harley, mas na verdade foram apenas uns 2 minutos que fizeram minha adrenalina subir a valer. 

Já na van, grudei meus olhos na janela para admirar o que via: pessoas, trajes, mesquitas e paisagens muito diferentes de tudo que eu tinha visto até então. Reparei num lugar que parecia uma lanchonete, com uma grande mesa externa, completamente cheia de homens. Isso me fez pensar por uns segundos qual seria o papel da mulher nesta sociedade. Será que elas só podem ficar dentro de casa cuidando das tarefas domésticas enquanto os homens podem sair para jogar conversa fora e fazer vários nadas?

Em poucas horas chegamos no nosso destino, a Ouzoud Falls, a cachoeira mais alta da África do Norte. A trilha é bastante tranquila, mesmo com um fluxo de pessoas razoável (lembrando que eu fui num domingo). Ao lado da cachoeira existem algumas cavernas e os mais corajosos costumam explorá-las. Outros optam por fazer um passeio de barquinho pagando 20 dirhans. Porém, a maioria prefere se deliciar tomando um banho gelado de cachoeira (e para a minha surpresa vi até gente de biquíni… turistas, é claro). O mais legal é que aqui as pessoas falam e eu não entendo lhufas. Mesmo estando num passeio em grupo acabei não me enturmando. Acredito que minha energia não estava das melhores e deve ser por isso que parecia que não estava, de fato, vivendo este momento. Talvez uma cerveja gelada me deixaria feliz, mas no meu hostel não tinha bar e eu já sabia que era bem difícil encontrar uma gelada por aqui.

Ouzoud Falls

O calor continua assim como as dúvidas deste sabático. Mostro os lugares com um sorriso, mas quando desligo a câmera me fecho em pensamentos tristes. Sei que tudo isso é um sonho sendo realizado, mas ouvi spoilers que tudo isso tende a ser difícil no começo. Enquanto as pessoas almoçam parei aqui para escrever e isso me ajudou a me sentir um pouco mais calma e mais leve. 

E quanto a comida? Não tive coragem de experimentar. Ontem almocei um bolinho que trouxe do avião e hoje comi um pão que guardei do café da manhã (vocês se lembram que eu falei das sobras, né? rs). Talvez eu jante um dos dois miojos que eu trouxe na mala, pois acho que não terei coragem de experimentar a culinária local. O tagine com batata parece um prato bem gorduroso (dizem que é só impressão minha). Na verdade eu não sei se meu estômago e organismo estão preparados para isso (e isso é uma coisa que eu realmente quero mudar em mim).

Ouzoud Falls – Foto by Évelin Karen

Antes de voltar para a van um acidente: vários homens carregam um outro homem ensanguentado em um cobertor. Ao que tudo indica ele foi pular na cachoeira e bateu a cabeça em uma pedra. Se morreu ou se viveu nunca eu saberei. Hora de subir a trilha e voltar para o carro, mas antes disso foi hora de ver alguns macaquinhos. 

Macaquinhos na trilha da Ouzoud Falls

Já no meu segundo dia de passeios pude conhecer um pouco de Essaouira. A viagem foi super confortável numa van com entrada USB, sem ninguém ao meu lado e na companhia de um grupo super tranquilo (com apenas um homem).

A primeira parada deste passeio foi na Argan Tree. Confesso que não fiquei muito confortável, pois para mim parecia que as cabras eram exploradas por dinheiro para que os turistas tirassem suas fotos Instagramáveis. Quando cheguei no hostel pesquisei um pouco a respeito e parece que elas sobem nas árvores atraídas pelo cheiro do fruto, mas eu ainda duvido (mesmo porque próximo a árvore fica um homem pedindo dinheiro dos turistas que tiram fotos ali).

Argan Tree – Foto by Évelin Karen

Depois paramos numa fábrica de Argan. Conhecemos todo o processo de produção artesanal do famoso óleo de argan, assim como de alguns cosméticos feitos desta matéria prima (tinha um óleo de jasmin mara, porém desde o começo da trip eu sabia que ia economizar o máximo possível e tinha que vencer as tentações de querer comprar tudo que eu via). Achei o processo manual sofrido e demorado: 6 dias para gerar um litro de argan… a imagem daquelas senhoras com as mãos judiadas não sai da minha cabeça. 

Produção do óleo de Argan – Foto by Évelin Karen

Voltamos para o carro, desta vez rumo a Essaouira. Só paramos mais uma vez rapidamente no alto da cidade para tirar foto numa espécie de mirante. Já na cidade, conseguimos aproveitar por 4 horas, explorando as ruazinhas da old Medina, o forte e a praia. O sol estava bem quente, mas o calor não estava terrível porque as vezes rolava uns ventos bem gelados. Logo de cara conhecemos o forte. Ali vimos uma diversidade de aves e o cheiro até lembrava o das Islas Ballestras no Peru.

Forte Essaouira – Foto by Évelin Karen

Depois foi hora de me perder na Medina. Achei as ruazinhas bem cinematográficas: portas coloridas, lojinhas com uma grande diversidade de artesanatos, lembrancinhas, roupas, lanchonetes, restaurantes e até peixe assado na rua. Passamos no mínimo duas horas ali e a sensação que eu tive é que quanto mais você adentrava na medina, menos turístico ela ficava: com menos lojas e mais moradores.

Essaouira Medina – Foto by Évelin Karen

Já na praia achei tudo muito estranho (para uma brasileira, é claro). Muitas pessoas de roupa tanto na areia quanto na água. A única coisa que se assemelhava a minha lembrança de praia brasileira era pelada que rolava na areia. Quanto a cor do mar, achei um pouco escura e até me lembrou a praia de Indaiá em Bertioga. Percebi que a maioria das mulheres não entram na água e as que se aventuram entram de calça e blusa de manga longa. Já os homens e crianças brincam a vontade. Diferente da cachoeira, na praia não vi ninguém usando biquíni (o que acho super certo, pois é uma questão de respeito). 

Essaouira Praia – Foto by Évelin Karen

Na volta do passeio paramos em uma loja de conveniência super cara, mas fugimos para viver uma experiência mais local. Aproveitamos que estava rolando uma feira de rua para dar uma breve volta antes de voltar para o carro e retornar para Marrakesh. A experiência da feira foi bem bacana: muita gritaria e preços super justos, até mesmo para nós turistas (digo isso pois nas lojas a maioria dos itens não tem preço e por isso eles te cobram um valor de acordo com a sua cara). 

No final das contas só consegui realizar estes dois passeios no Marrocos. Se eu tivesse que escolher um preferido certamente seria Essaouira, pois pude conhecer uma realidade totalmente diferente da minha cultura. Além disso, pude socializar com as meninas da van: conheci uma americana super gente boa, uma marroquina e uma família indiana que morava nos Estados Unidos.

Se você ficou curiosa para saber mais sobre esta minha aventura de turistar no Marrocos é só entrar nos destaques do meu Instagram. E se mesmo assim você tiver alguma dúvida sobre o meu passeio pode me perguntar aqui nos comentários, ok?

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On the road – As aventuras de Eve nas Olimpíadas Rio 2016

Interrompemos nossa programação normal para publicar este post quente e urgente sobre o Rio de Janeiro que, obviamente, continua lindo!

Olimpíadas rolando a todo vapor no Brasil e é claro que eu tinha que sentir isso mais de perto. Semana passada foi dia de acompanhar as meninas do futebol feminino na Arena Corinthians. O Canadá ganhou da França de 1 x 0, eu adorei o clima da torcida e me apaixonei pelo estádio do Corinthians. Preciso voltar muitas outras vezes.

Arena Corinthians SP, França x Canadá – Foto by Évelin Karen
Eve and her brother, Corinthians Stadium – Foto by Évelin Karen

Acompanhei os jogos doo futebol desde o início. Depois foi hora de ver a cerimônia de abertura e aquilo tudo me encantou tanto que eu decidi: eu preciso passar um dia no Rio para sentir toda esta vibe Olímpica. Então, no dia 15 de agosto embarquei na rodoviária do Tietê com uma amiga e às 07:00 já estávamos no Rio.

Vista do Cristo de Botafogo RJ – Foto by Évelin Karen

Deixamos nossas coisas na casa de um abençoado amigo dela, colocamos roupa de praia e começamos nossa saga. Saindo de Botafogo, misteriosamente, ganhamos uma carona de ônibus de um motorista que estava muito feliz e de bem com a vida. Dava pra ver que o clima daquele lugar estava diferente e ainda melhor (quem me conhece sabe que eu sempre gostei do Rio). Cada lugar com traços Olímpicos rendia fotos.

Passamos o dia inteiro caminhando. Em Botafogo passamos em frente à Casa da Áustria, mas como o tempo era curto nem entramos. Continuamos a caminhada e chegamos em Copacabana onde encontramos muitos turistas, jornalistas, voluntários… gente de diversos lugares do mundo. Aquele momento em que você pensa “estou no exterior ou no Rio?”. Sim, o Rio sempre recebe uma grande quantidade de turistas, mas não se compara com a galera que eu vi ontem.

Turistando no RJ – Foto by Évelin Karen

Passamos pela famosa Arena onde rolam as disputas do vôlei de praia… só de ver de perto a gente já fica feliz. Ali fomos abordadas por alguns gringos querendo vender ingressos para o jogo de basquete do Brasil, mas não quisemos. Sentamos para a primeira cerveja do dia e ficamos bem ao lado do local da prova da Maratona Aquática feminina, onde a brasileira ganhou medalha de bronze. Em Copa vimos os crushs mais tops do rolê. Pena que ali a cerveja é mais cara e não rola uns telões para assistir aos jogos, caso contrário poderíamos ter passado o dia inteiro lá.

 Arena de Vôlei de Praia em Copacabana RJ – Foto by Évelin Karen
Eve nos Arcos Olímpicos de Copacabana RJ – Foto by Évelin Karen

Continuamos nossa caminhada e paramos em Ipanema. Lá curtimos sol e praia de buenas na canga. Experimentei a tal esfiha que vendem na praia (e vem com gordurinha… não curti muito não, mas na hora da fome era o que tinha em oferta).

Eve from Ipanema – Foto by Mah
Cada detalhe olímpico é um flash – Foto by Mah

Caminhamos mais um pouco e embarcamos no metrô para o centro. Hora de ver a famosa Pira Olímpica, em frente à Igreja da Candelária. Na TV ela parece linda e grande. Ao vivo e a cores ela é bem menor e chega a decepcionar um pouquinho.

Pira Olímpica/ Catedral da Candelária RJ – Foto by Évelin Karen

Gastamos mais sola de chinelo caminhando pelo Boulevard Olímpico. Na sua extensão encontramos muita, muita gente, artes, grafite, palcos com DJ’s, telões, food trucky e até a Casa do Brasil (com uma fila gigantesca). Uma infinidades de coisas para fazer e conhecer. Acompanhamos o pôr do sol do lado de fora do Museu do amanhã, local que garante fotos lindas!

Selfie no Boulevard Olímpico Foto by Évelin Karen
Museu do Amanhã RJ – Foto by Évelin Karen
Pôr do sol no Museu no Amanhã RJ – Foto by Évelin Karen
Vista do Boulevard Olímpico  RJ – Foto by Évelin Karen 

Voltamos para o nosso ponto de apoio, tomei um banho e fui para rodoviária. Por sorte consegui comprar minha passagem de volta direto pra Mogi. Jantei, embarquei 22:40 (no mesmo dia 15 de agosto) e dormi a viagem inteira, assim como a grande maioria dos passageiros que também estavam voltando do Rio com o sonho olímpico realizado.

Conclusão: se você quer muito saber como é o clima de Olimpíadas e tem pelo menos R$ 300,00, pegue um ônibus e vá. Se você conhece pessoas que têm carro e também estão afim, o passeio sairá bem mais barato. Com este valor você paga transporte, alimentação e se não rolar muitos bons drinks dá pra pagar até um ingresso (dos mais baratos) para assistir alguma das competições. É loucura fazer isso? Talvez! Porém é uma oportunidade única e uma sensação maravilhosa  fazer parte de um evento tão grandioso quanto este. Trabalha durante a semana? Embarque na madrugada de sexta para sábado, mas VÁ!!!!! Eu super recomendo!

E no próximo post voltamos à programação normal: Bahia e os encantos da Ilha de Itaparica e Ilha dos Frades.