Ter um período sabático é possível? Medos, desculpas e pré conceitos

Ter um período sabático é possível? Medos, desculpas e pré conceitos

O mês de dezembro costuma ser um período de bastante reflexão! Época que muitos param para pensar sobre as conquistas do ano que está finalizando e começam a traçar os planos para o próximo que irá começar. E você? Faz tipo deste clubinho reflexivo ou é destas que não curte ficar pensando muito a respeito? Sei que já estamos em maio, mas nestes tempos de confinamento tem muita gente aproveitando para repensar não só as atitudes como o estilo de vida que tem vivido até então. Confesso que durante 31 anos da minha vida fiz parte do segundo clubinho, mas fiquei feliz em estar aberta a mudanças. No final de 2018 eu tinha apenas uma certeza na cabeça “em 2019 passarei alguns meses viajando pelo mundo e terei meu tão sonhado período sabático”. Porém, para realizar este sonho, tive que vencer uma série de pensamentos sabotadores, medos e pré conceitos que travavam a minha viagem (e que eu sei que também bloqueia muita gente por aí). Por isso, resolvi escrever este texto para compartilhar minhas experiências e te inspirar a cair na estrada (depois que tudo isso passar, é claro)!

Mas o que é um período sabático?

Uma definição bem simples de período sabático é: um período de pausa na carreira profissional o qual podemos nos dedicar a outras atividades de interesse pessoal e ao autoconhecimento. No caso dos viajantes, estas “outras atividades” costumam ser ser viajar! 

Quanto tempo dura?

Eu já vi diversas discussões a respeito e nenhuma conclusão bem definida. Tem gente que acha que o sabático tem que ser superior a 6 meses de pausa, outros acham que pode ter 3 meses, 1 ano… Mas, acredito que cada pessoa sabe muito bem quanto tempo de pausa precisa ou consegue bancar. No meu caso, pude me presentear com pouco mais de 3 meses e curtir o Meu Sabático de 100 dias.

Quais são os principais medos, desculpas e pré conceitos que te impedem de tirar um período sabático?

Pra tornar este sonho do Meu Sabático de 100 dias realidade tive que desconstruir uma série de idéias da minha cabeça. Foi fácil? Não! Mas com muita pesquisa a gente acaba dando um jeito pra tudo e diluindo um pouco destas aflições. 

E foi pensando nisso que eu decidi listar aqui as 10 principais dúvidas com uma série de medos, desculpas e pré conceitos que martelam na cabeça e impedem muita gente de tirar um período sabático. Mas já te aviso que se você tiver foco, planejamento e dedicação poderá vencer não só estes como muitos outros medos que podem surgir no seu processo de decisão.

1- “Mas e se eu nunca mais conseguir um emprego?”

Acredito que um dos principais empecilhos na vida de quem quer tirar um sabático é o medo de sacrificar a vida profissional ao fazer esta escolha. A grande maioria das empresas não oferece opção do funcionário tirar uma licença não remunerada, ou seja, ou você se arrisca e pede demissão ou continua seguindo sua rotina sem viver esta experiência. 

Eu sei muito bem que nosso país vive um momento muito difícil, pra não dizer desesperador. Mas quando você pensa “nunca mais vou conseguir um emprego” não acha que “nunca” é tempo demais? Depois de tirar o meu sabático e realizar alguns voluntariados percebi que tenho outras habilidades que eu nem imaginava. Agora que eu voltei, obviamente procurarei jobs na minha área. Mas e se não rolar? Posso fazer freelas em hostels, em bares, restaurantes, pois sei que dou conta do recado (basta ter a oportunidade).

2- “Mas período sabático é coisa de gente rica!”

Você acha mesmo que eu sou filha do Rei do Gado? Eu estou mais é pro exemplo clássico de proletariada suburbana que acorda as 5 da manhã pra ir trabalhar e só chega em casa depois das 20:00 (aliás, esta é a história da minha vida nestes últimos anos). É uma rotina bem cansativa e estressante, mas quando a gente tem um objetivo definido conseguimos focar, estabelecer prioridades e parece que as coisas começam a fluir.

3- “Mas eu não tenho dinheiro!”

Minha filha, se planejar direito dá pra tirar um sabático sim, mas é claro que a vida é feita de escolhas. Não da pra viver uma vida cheia de regalias, sair todo final de semana, fazer comprinhas e gastar com qualquer coisa. Você precisa saber bem para onde está indo seu dinheiro, portanto listar todos os gastos e separar um valor que será guardado para o seu sabático todos os meses é fundamental. Além disso, estude formas de economizar para conseguir poupar mais dinheiro. 

4-  “Mas eu já sou uma pessoa econômica!” 

Tem certeza que não tem nenhuma despesa que pode ser eliminada da sua planilha de gastos e da sua vida? Eu cortei manicure, boteco e sempre pensava no mínimo 3 vezes antes de comprar qualquer coisa.

Agora, se você realmente não tem mais da onde cortar, uma solução é buscar formas de conseguir uma renda extra. Manja de cozinha? Que tal fazer bolos, brigadeiros, trufas, marmitas? Entende dos paranauês de escrever e redes sociais? Que tal procurar um freela em sites como o 99 Freelas? Pesquise com carinho que você pode encontrar uma forma de conseguir uma graninha extra utilizando uma de suas habilidades.

5- “Mas e se surgir uma emergência e eu não conseguir voltar?” 

E se não surgir? E se você morrer sem nem dar tempo da emergência existir… você acha que a vida terá valido a pena? Será que não é melhor arriscar e se preocupar com o problema apenas se ele, de fato, acontecer? #ficaaduvida

6- “Mas viajar para Europa é muito caro (que também pode ser substituído por: mas o dólar está caro, ou, mas uma passagem pra Ásia ou Oceania é muito cara, etc, etc, etc)”

Olha, eu não vou mentir: pra gente que ganha em reais é caro mesmo. Mas é um sonho possível de realizar, basta saber fazer escolhas. Durante meu sabático eu tentei economizar de várias formas: fazia minha comida ou comprava pronta no mercado para evitar gastar mais em restaurantes, lavava minha roupa no chuveiro (#quemnunca), deixava de pegar transporte público para passar horas caminhando e conhecendo as cidades… e foi assim que fiz meu dinheiro render tornando possível conhecer 12 países durantes os 100 dias.

7- “Mas eu não tenho tempo!”

Este é mais um assunto que você precisa analisar bem para tomar uma decisão. Eu senti no meu coração que era meu momento de me colocar como prioridade para realizar este sonho. Pode ser que no futuro você tenha tempo, mas não tenha saúde ou disposição para fazer os passeios que você sempre quis. E aí? O que você prefere?

8- “E se eu não souber me virar sozinha? E se eu me perder?”

Como assim “se virar”? Você vai viver uma vida “normal”, tirando que você terá toda a liberdade de fazer o que quiser, na hora que quiser e se quiser. É claro que antes de ir você precisa, no mínimo, pesquisar sobre a realidade do lugar que pretende visitar para saber se é seguro, assim como formas para realizar uma viagem mais tranquila. E uma coisa eu te digo: existem muitas pessoas boas no mundo que fazem de tudo para ajudar os outros, principalmente viajantes perdidos que precisam de auxílio. É bem provável que você se perca, mas soluções para resolver este problema não vão faltar (por exemplo: peça ajuda ou use aplicativos como Google Maps, Mapsme, etc). O que você não souber você aprende, simples assim (aliás, neste post aqui eu listei 50 coisas que eu fiz pela primeira vez no meu primeiro mês de sabático).

9- “E se eu não conseguir me comunicar? E se eu não fizer amigos? E se eu ficar sozinha?”

Já ouviu falar em mímica? Pois é, normalmente ela costuma funcionar. Uma coisa que eu aprendi na estrada é que é possível se comunicar mesmo quando não falamos o idioma do local onde estamos. Sorrisos, olhares, expressões e gestos, as vezes, dizem mais que mil palavras. Pude vivenciar isso na minha curta passagem pelo Marrocos. Meu francês era quase zero e meu árabe era totalmente zero, mas mesmo assim conseguia me comunicar com o moço da cozinha do hostel que era sempre muito gentil. Mesmo sem trocar uma palavra ele me ajudava a usar o fogão para ferver água pro meu miojo, entendia que eu não tomava café e por isso me dava mais suco e sempre demonstrávamos nossa gratidão e respeito com sorrisos sinceros.

Quanto as amizades, se você vai se hospedar em hostel já é meio caminho andado, pois não faltarão oportunidades para conhecer novas pessoas: seja dividindo mesa no café da manhã ou tomando uma cerveja e jogando conversa fora no bar do hostel. É bem provável que em alguns momentos você ficará sozinha, mas aproveite, pois pode ser que você perceba que você é sua melhor companhia.

10- “Tá bom Eve, mas e se eu for e não gostar?”

Sinceramente, eu acho bem difícil uma pessoa que tem o sonho de passar um tempo fora ir e não gostar Porém, caso isso ocorra, a resposta é bem simples: você pode voltar! É claro que esta decisão pode doer no seu bolso, mas você se lembra que eu já falei que a vida é feita de escolhas, não é mesmo? Antes de decidir se você deve voltar ou não pense bem sobre os reais motivos desta possível “desistência”. Do que você não está gostando? Não tem nada que pode ser feito para que você possa curtir mais a jornada? Talvez alterar o estilo da sua viagem ou os locais que está visitando? Pense bem antes de tomar qualquer decisão por impulso. Mas, em último caso, se não tiver jeito mesmo, eu acredito que se você decidir voltar pra casa encontrará seus familiares e amigos de braços aberto pra te receber (mas espero de verdade que isso não aconteça).

#ficadica

Quando for planejar seu sabático, converse com outras pessoas que já viveram esta experiência, pois assim você poderá ser mais assertiva nos seu planejamento. Se você está aí com a cabeça cheia de dúvidas, pode me mandar uma mensagem que farei o possível para ajudar. Agora, se você quiser um serviço de consultoria profissional eu super recomendo o site Sabático na Prática. A Dani e a Mari tem um passo a passo bem legal para te ajudar a tirar este seu sonho do papel. Além disso, no site delas tem vários materiais gratuitos que vão te ajudar muito durante todo o seu processo de sabático.

No meu próximo post (que já sai na próxima terça-feira), vou contar pra vocês quais eram os 3 principais medos que me impediam de realizar este sonho (e sei que serei julgada por muitos por conta do meu 3º da lista). Mas enquanto o post novo não vem conte pra mim: você tem vontade de tirar um período sabático? Se sim, para onde gostaria de ir?

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Meu sabático de 100 dias – Capítulo 1 – Eu me demito! Quando a hora finalmente chega

Meu sabático de 100 dias – Capítulo 1 – Eu me demito! Quando a hora finalmente chega

23 de junho de 2019

Eu me demito! Sabe, por quase um ano eu planejei este momento e pensei que seria fácil. Aparentemente o trabalho estava me consumindo e eu percebia que já não conseguia mais render como de costume. Concentrar nas tarefas era algo cada vez mais difícil, os esquecimentos se tornaram cada vez mais recorrentes e o sentimento de frustração parecia ter tomado conta de mim e da minha vida. Mas no fundo eu achava que aconteceria como nos filmes: um belo dia eu chegaria para trabalhar, chamaria meus chefes pra conversar, falaria a tão sonhada frase “eu me demito” e sairia dançando pelos corredores dançando como num musical de Hollywood. Mas é claro que a vida real nem sempre imita a arte.

Na semana que antecedeu o dia D eu já sentia um leve frio na barriga, mas na véspera fui tomada por um misto de ansiedade, nervosismo e medo… muito medo!

Medo de fazer a maior merda da vida, medo de não conseguir outro emprego, medo de enfrentar todo o processo de seleção e entrevistas novamente, medo de… nem sei do que tenho medo, só sei que tenho!

A ideia de pedir demissão num momento em que o país vive um cenário desanimador e desesperador com mais de 13 milhões de desempregados parece ser bem idiota. Pedir demissão de fato para investir alguns meses da vida em um sonho parece ser idiota ao extremo, mas…

Até quando precisamos viver como se estivéssemos seguindo uma receita de bolo?

Até quando devemos trabalhar loucamente por 30, 40 anos em busca do pote de ouro chamado aposentadoria que poderá nos garantir anos de ócio e curtição?

Por que não podemos nos planejar para realizar nossos sonhos e curtir um pouco da nossa vida enquanto ainda estamos jovens e bem dispostos? 

Um livro que me ajudou a mudar o mindset e abordou estes questionamentos foi o Trabalhe 4 horas por semana do Timothy Ferriss (se você também cansou de viver no automático e quer se jogar no mundo por um tempo, #apenas leia este livro 😉).

E então, depois de muito frio na barriga e tremedeira conversei com minha chefia e… eu me demito! Mesmo sendo grata por todas as conquistas tinha chegado a minha hora. Para minha surpresa, fui bastante apoiada na minha decisão e isso serviu até como uma injeção a mais de ânimo.

A cartinha de demissão foi escrita, assinada e entregue no RH. Em 30 dias a rotina do trabalho será deixada de lado para que eu embarque no Meu Sabático de 100 dias. Em 30 dias iniciarei minha jornada pelo mundo, pois o velho sonho esta prestes a se tornar a mais nova realidade!

Turismo no Marrocos – O que você precisa saber antes de ir

Essaouira – Marrocos

Como muitos já sabem, o primeiro país que visitei no Meu Sabático de 100 dias foi o Marrocos. Confesso que minha maior motivação era conhecer o Deserto do Saara (o que acabou não acontecendo desta vez), porém acabei me abrindo ao novo e pude desvendar um pouco deste país de cultura rica, lugares encantadores, muitas cores, cheiros e sabores.

Antes de embarcar, tanto meus conhecidos quanto as pesquisas que eu fazia na internet estavam me deixando beirando o pânico. Sequestros, assédio, escorpiões… parecia que eu ia embarcar em uma viagem sem volta. Mas, fui com medo mesmo e em 4 dias de viagem pude me surpreender muito em terras marroquinas. 

E você? Também tem vontade de conhecer o Marrocos? Se estiver planejando sua viagem, confira aqui as principais informações que você precisa saber antes de embarcar nesta aventura em solo africano.

Onde fica o Marrocos?

O país está localizado na região norte do continente africano e é banhado pelo Oceano Atlântico e pelo Mar Mediterrâneo. Outro fato que chama atenção é que ele é o país africano que fica mais próximo do continente europeu, por isso muitos turistas que visitam a Espanha e Portugal acabam adicionando o Marrocos no roteiro.

Como chegar no Marrocos?

Se você busca um voo direto saindo do Brasil, a melhor opção é voar pela companhia Royal Air Maroc. Agora se você tem uns dias sobrando pode optar pela TAP, Ibéria ou Air France e ainda fazer um stopover em um destes Hubs (TAP: Porto, Lisboa, Faro; Air France: Paris; Ibéria: Madrid). Eu optei pela Air Maroc, pois fiz um voo direto para Casablanca. 

Minha experiência voando pela Air Maroc foi bem ok. O voo atrasou uma hora para sair de São Paulo, tivemos um jantar e um café da manhã, além de travesseiro, cobertor e uma mini necessaire de plástico com uma meia e um tapa olho. As poltronas possuem TVs individuais e entrada USB para carregar o celular.

No final das contas acho que valeu a pena. Aproveitei e comprei minha passagem para Porto com stopover em Casablanca com uma diferença no valor final da passagem de menos de R$ 100,00 (isso mesmo, pude conhecer dois países pagando pouquíssimo por isso).

De Casablanca a Marrakesh

Chegando no aeroporto de Casablanca eu desci um lance de escadas e já estava na estação ferroviária. Comprei meu ticket de trem saindo do Aeroporto até a estação Casa Voyageurs (Gare de Casa Voyageurs). Já na estação Casa Voyageurs comprei meu ticket com destino a Marrakesh (poderia ter comprados os 2 trechos no aeroporto, mas como o primeiro trem estava prestes a sair tive que fazer a compra em duas etapas).

Dica: é possível comprar o ticket de trem pelo site da empresa ONCF: é mais simples, seguro e assim você evita cair em golpes como aconteceu comigo (no dia que estava voltando de Marrakesh). 

Visto e imigração: como funciona?

Para nós brasileiros não é necessário visto solicitar um visto previamente para entrar no país. Na imigração você terá apenas que preencher um formulário e apresentar seu passaporte para que seja carimbado.

Qual é o idioma falado no Marrocos?

O árabe e o berbere são os idiomas oficiais. Na região de Casablanca e Marrakesh é comum ouvir pessoas se comunicando em francês, porém existem  algumas cidades no país onde é possível ouvir os locais conversando em espanhol também. 

Qual o dinheiro utilizado no Marrocos?

A moeda usada no Marrocos é o Dirham. Como depois eu iria passar uma temporada na Europa, acabei levando Euros para trocar por Dirhans apenas quando chegasse em Casablanca (sim, eu saí do Brasil sem nenhuma moedinha marroquina e não me arrependo por isso). No aeroporto existem várias casas de câmbio, então aproveitei e já troquei todo o dinheiro que eu pretendia gastar durante minha estada (em agosto de 2019 consegui trocar 100 euros por 1030 dirhans).

Como se vestir no Marrocos? 

No Marrocos as mulheres não são obrigadas a utilizar o hijabe, porém muitas marroquinas optam por utilizá-lo (pra quem não sabe, hijabe ou hijab é aquele véu que as mulheres usam para cobrir a cabeça). Quando saí do aeroporto eu resolvi amarrar um lenço na cabeça, porém alguns locais me falaram que não era necessário e eu acabei deixando de usar. Mesmo sem o lenço, durante todos os dias eu me vesti com calça ou saia longa, blusinha de manga ou alguma manga longa. Roupas curtas e decotes não faziam parte do meu dress code. Pra mim era uma questão de respeito a cultura deles, pois quem estava de intrusa ali era eu, não é mesmo? Até vi pessoas se vestindo como se estivessem passeando no verão de Paris, mas eu não recomendo.

Como é o clima?

Marrocos me lembra Deserto do Saaara que me lembra calor, muiiiito calor. Mas nem de sol e suor vive o país. Aliás, você sabia que em alguns lugares do Marrocos chega até a nevar? 

O clima do Marrocos é divido em 4 “zonas”: continental (no interior onde existem as áreas montanhosas), oceânico (em toda a costa ocidental), mediterrânico (região das montanhas do Rif e do litoral) e desértico (na região ao sul das montanhas do Atlas).

Quando ir?

Segundo a maioria dos blogs e sites de viagens, os melhores meses para visitar o Marrocos são de Março a Maio (durante a primavera) ou de Setembro a Novembro (durante o outono), pois nestes períodos o clima é mais ameno. O mês de agosto costuma ter temperaturas bem altas, por isso algumas agências deixam até de realizar o Tour para o Deserto do Saaara. Confesso que eu fui no mês de agosto e não morri! Enfrentei bastante calor em Marrakesh, até senti uma brisa fria quando visitei Essaouria, mas não visitei a região de deserto onde o calor é mais extremo.

Onde ir?

Não vai faltar atrações para você escolher: se encantar com a mais alta cachoeira do norte da África, a Ozoud Waterfall; ver a tal “árvore de cabras” na famosa Argan Tree (e ainda visitar uma fábrica de argan para saber como funciona a produção dos  produtos); curtir um dia de praia em Essaouira; se perder e se encontrar diversas vezes pela Medina de Marrakesh; conhecer a famosa Mesquita Hassan II na maior cidade do país, Casablanca; visitar algumas das cidades que foram cenários de filmes e novelas famosas (como Ouarzazate, conhecida como a Hollywood do Marrocos); ver um pôr do sol inesquecível nas dunas do Deserto do Saara… Vou parar por aqui, mas estes são apenas os principais passeios dentre as diversas atrações que o Marrocos oferece.

Quanto tempo ficar no Marrocos?

Eu fiquei apenas 4 dias e achei muito pouco. Minha sugestão é no mínimo uma semana para que tenha tempo de fazer o passeio de 3 dias e 2 noites no Deserto do Saara.

Preciso fazer seguro viagem para ir para o Marrocos?

Os viajantes que visitam o Marrocos não são obrigados a apresentar a documentação de seguro viagem, porém minha dica é: se você for, faça (ou reze para não ficar doente, senão você vai pagar MUITO caro por isso!

Eu fiz o meu seguro viagem pela World Nomads, pois foi o melhor custo x benefício que eu achei nas minhas pesquisas (ainda mais considerando que este era apenas o primeiro dos diversos países que eu visitei no Meu Sábatico de 100 dias).

O Marrocos é perigoso?

Eu acho que me senti mais insegura pela quantidade de quantidade de comentários negativos que eu ouvi antes de embarcar que de fato pelas situações que vivenciei. Posso falar que eu tive uma experiência positiva durante minha curta estada. Pra mim foi super tranquilo andar sozinha por Marrakesh e não tive nenhum episódio que me senti com medo. Falaram tanto da questão do assédio, dos homens que querem trocar mulheres por camelos, de pessoas que foram sequestradas e nunca mais foram encontradas, mas comigo graças a Deus foi tudo bem tranquilo. Mas é claro, como boa brasileira fique sempre alerta e tente evitar situações que te coloquem em risco (eu, por exemplo, não curto sair a noite e é claro que não saia pelas vielinhas do hostel sozinha quando estava escuro).

Vale a pena ir para o Marrocos?

Com certeza sim! Cruzar o oceano e ver que do outro lado existe uma cultura bastante diferente da nossa é uma experiência enriquecedora. Além disso, vale a pena conferir a beleza dos lugares destas terras africanas. Eu acho que não aproveitei muito, pois fiquei poucos dias e ainda não estava conectada à minha viagem. Espero em breve visitar o Marrocos para aproveitar ainda mais e compartilhar minhas experiências com vocês.

E aí? Partiu Marrocos? Marque nos comentários ou compartilhe este texto com as amigas que estão planejando curtir uma aventura marroquina.

7 motivos para tirar um período sabático

7 motivos para tirar um período sabático

Tirar um período sabático é o sonho de muita gente, porém, muitas vezes este sonho nunca sai do papel. Quem me acompanha no Instagram viu que em agosto iniciei esta minha jornada e pensando nisso resolvi listar aqui 7 motivos para você realizar um período sabático

1 Aprender sobre si mesmo

Na correria do dia a dia a gente não consegue parar para pensar em nossa vida, do que a gente gosta ou não gosta, sentimentos, quem somos ou na pessoa que nos tornamos. Ao tirar um sabático pude me colocar como prioridade e me conectar comigo mesma. Foi um momento de reflexão que me fez desconectar do modo automático destes meus 32 anos de vida corrida.

2 Conhecer novos lugares

Alguns acham que tirar um sabático e ir para o outro lado do mundo é apenas uma fuga, mas para mim é muito mais que isso. Conhecer novos lugares, novas culturas e novas histórias me ajudam a mudar a maneira como eu encaro o mundo e são o combustível para eu encarar os desafios do dia a dia. Nos últimos anos descobri que viajar para mim é algo mágico e que me motiva. E você? Já parou para pensar sobre o que te motiva nesta vida?

3 Tirar projetos do papel

Escrever um livro, montar um blog, fazer trabalho voluntário, aprender um novo idioma ou uma nova habilidade. Durante um sabático a gente tem a oportunidade de voltar nossos esforços e atenção para a realização de um sonho que exige nossa completa dedicação. Eu sempre quis passar um tempo fora do Brasil para melhorar meu inglês, espanhol e turistar por aí. Por isso, aproveitei este sabático para colocar em prática aquilo que eu mantinha preso no mundo das ideias. 

4 Realizar descobertas

Durante um sabático pude me abrir a um mundo de possibilidades e foi aí que descobri um pouco mais sobre mim e até habilidades que eu nunca tinha imaginado (já até compartilhei neste post a minha primeira vez de várias coisas). Ajudei uma senhora nos reparos da casa, servi cerveja em bar de hostel, ajudei a fazer os pratos do café da manhã de uma guest house. Descobri estes e outros talentos aos poucos e tenho certeza que eles permaneceriam escondidos se eu não tivesse me dado este sabático de presente. 

5 Fazer o que realmente gosta

Tem dia que a gente quer ler um livro, no outro a gente quer colocar o sono em dia, as vezes a gente quer comer naquele restaurante recomendado, mas em outros casos tudo o que a gente quer é a nossa comidinha com o nosso tempero. Pois bem, num sabático você é a dona das suas escolhas. Por isso, pude fazer tudo aquilo que gosto sem julgamentos ou culpas.

6 Deixar a rotina de lado

Sabe aquele prazer de deitar na sexta-feira com o despertador desligado? Imagine poder fazer isso por vários dias, semanas e até meses? Esta falta de compromisso é só um dos diversos pontos que trabalhei e que me ajudaram a retornar a ativa mais renovada. Nossa mente precisa de um descanso, assim como nós precisamos recuperar nossas energias e recarregar nossa bateria.

7 Repensar a vida

Será que fui feliz nas escolhas que fiz nestes últimos anos? Será que viver é apenas seguir uma rotina até perceber que os dias estão passando? Quais os meus sonhos? Metas? Objetivos? Na correria do dia a dia a gente deixa estas questões de lado e deve ser por isso que ouvimos bastante o famoso “a vida passou e eu nem vi”. Nesta minha jornada pude parar pra pensar e entender que a vida precisa, de fato, ser vivida. Eu não quero apenas ver a banda passar, mas quero sim tocar, dançar e fazer festa com a banda toda!

E aí? Você já pensou em tirar um período sabático ou esta é uma ideia que nunca passou pela sua cabeça? Compartilhe sua opinião comigo nos comentários!

Meu sabático de 100 dias – A primeira vez a gente nunca esquece!

Parece mentira, mas não é. A pessoa que vos fala completou o 1º mês na estrada vivendo o tão sonhado período sabático. E se você tem acompanhado esta minha saga em tempo real no Instagram já deve ter percebido que tem rolado muitas “primeira vez”, não é mesmo?

Se você tá de olho no meu Insta deve ter percebido que além do turbilhão de emoções que tem sido o início desta trip, também pude experimentar uma surra de “primeira vez” de muitas coisas. E como dizem que a primeira vez a gente nunca esquece, fiz aqui uma listinha de 50 coisas que me permiti fazer ou que aconteceram comigo neste início de sabático.

A primeira vez que eu…

1- Pisei na África!

A primeira parada do meu sabático foi no Marrocos e totalmente por acaso. Comprei minha passagem pela Air Moroc, vi que um stopover iria custar pouco mais de 50 reais, então resolvi conhecer um pouquinho deste país com uma cultura tão rica e diferente da nossa.

2- Visitei um país muçulmano

Marrakesh – Foto by Évelin Karen

Pude ver mesquitas (mesmo que apenas por fora), ouvir várias vezes ao dia o famoso “adhan” que é uma espécie de chamado para a oração e ver pessoas fazendo suas orações seja numa mesquita ou em algum cantinho no aeroporto;

3- Subi em uma moto

Quem vê pensa que eu cruzei uma cidade de moto, mas foram apenas 2 minutos do hostel em Marrakesh até a praça onde saia meu tour. Confesso que foram os 2 minutos mais longos da minha vida;

4- Usei lenço na cabeça

E não foi uma questão de estilo, mas sim respeito.

5- Me comuniquei com alguém que não falava meu idioma (nem eu o dele)

Isso também aconteceu em Marrakesh. O senhor que cuidava do café da manhã do hostel sempre me tratava super bem e tentava me ajudar, seja oferecendo água quente, mais suco, pão… O difícil era tentar agradecer sem saber como. No início até tentei arranhar no francês, mas descobri que ele só falava árabe.

6- Passei tanto tempo fora de casa e longe de Mogi

Já tava na hora, né?

7- Pisei na Europa

Alcazaba de Almeria na Espanha – Foto by Évelin Karen

E me senti num livro de História!

8- Mergulhei no Mar Mediterrâneo

De Indaiá para o Mediterrâneo. Gostei pouco rs

9- Ouvi declarações xenofóbicas

“Portugal é um ótimo lugar para viver, bem tranquilo, só quem rouba aqui é brasileiro”. A vontade de falar “queridinha, vamos voltar a 1500?” foi bem grande, mas e o medo?

10- Ganhei uma gorjeta

Por enquanto foi a única, mas foram 5 euros muito bem vindos!

11- Comi algumas comidinhas locais

A melhor delas foi o tal pastel de nata com brigadeiro do Mercado de Nova Gaia. Também comi as tais bifanas (que eu odiei), bacalhau com natas (sou mais a bacalhoada do meu pai), tapas…

12- Pude andar pelas ruas de dia, a noite e sem medo

E curti uma sensação maravilhosa de liberdade.

13- Percebi o quão louco é morar no Brasil e como é triste viver em um lugar com tanta violência

Porque andar com um celular novo e um antigo na mochila para dar pro ladrão em caso de assalto não é algo normal.

14- Fiz Worldpackers e Workaway

Experimentei estas duas plataformas de work exchange, vi como é possível viajar mais barato e ainda aprendi muita coisa nova!

15- Dormi no aeroporto e na rodoviária

Na rodoviária de Sevilha – Foto by Évelin Karen

O que a gente não faz pra economizar alguns euros das diárias de hostel, né?

16- Lavei roupa loucamente no chuveiro para não gastar com lavanderia

Faltou o amaciante, mas ficou limpinha!

17- Anotei todos os meus gastos num caderno

Não só anotei tudo como fiz escolhas conscientes para fazer com que meu dinheiro rendesse um pouco mais;

18- Uma pessoa se aproveitou de mim por eu ser estrangeira e me aplicou um golpe

Resumindo: na estação de trem de Marrakesh o atendente me roubou 100 dirhans;

19- Fui tratada com muita grosseria pelos locais

Já até perdi as contas quantas vezes isso aconteceu comigo aqui na Europa…

20- Tomei cerveja “Radler” (com suco de limão)

O nome diz que é uma cerveja mas pra mim é um refri!

21- Tive que tentar fazer a fina e deixar um pouco de comida de lado por não comer certos alimentos que faziam parte do prato

E nem teve como selecionar o que eu colocava no prato, porque quem o montou foi a host;

22- Visistei um país e sobrevivi a base de miojo e comidas industrializadas;

Eu no Marrocos! Depois da intoxicação alimentar que eu tive na Bolívia eu entendi que não tenho o estômago blindado.

23- Fui a praia e não vi mulheres de biquíni

Essaouria – Marrocos – Foto by Évelin Karen

Mas enquanto isso os homens seguiam de boa vestindo bermudas.

24- Vi e fiz topless

As peitolas curtiram tomar um solzinho!

25- Guardei as comidinhas do avião e levei pra comer no hostel

Eu já sabia que dias de vacas magras estavam por vir;

26- Visitei um país e não bebi nenhuma cerveja

Cerveja no Marrocos? Nunca nem vi!

27- Fui “atacada” por locais por não poder estar onde eu estava

Essaouria Marrocos – Foto by Kassey

Era uma foto inocente em frente a uma porta, mas levei foi muita terra na cabeça;

28- Bebi vinho verde e Somesrby

Gente, tomar Somersby na praia é mara!

29- Comi lula

Pra mim parecia bacon #mejulguem;

30- Fui parada por um policial no aeroporto por portar um pacote suspeito

Neste caso, uma caixa de paçocas… e pra provar que não eram drogas tive até que comer uma (eita tarefa difícil);

31- Percebi como sinto falta quando não vou a missa

É uma sensação tão estranha… No Marrocos eu me sentia como se estivesse longe de Deus… muito louco isso! (gente, este é um sentimento meu, ok?)

32- Curti o famoso verão europeu

Aguadulce en Almeria na Espanha – Foto by Évelin Karen

Só faltou eu ir causar em Ibiza!

33- Finalmente fui beneficiada por um bug do sistema

E por isso paguei apenas metade do preço numa diária de hostel em Fátima (ao invés de 20 euros paguei 10!);

34- Me hospedei na casa de uma pessoa estranha

Tá certo que era uma amiga de uma amiga, mas… nunca tinha visto e por isso é claro que rolou aquela vergonha que me é peculiar. Porém, percebi que não preciso ser neurótica, pois existem pessoas que sempre recebem muito bem seus hóspedes;

35- Andei de ferry

E me senti num navio!

36- Fui presenteada por um vacilo da atendente

Em Lisboa a garçonete esqueceu do meu pedido e em sinal de desculpas me deu um pastel de nata… gostei pouco rs!

37- Ouvi claramente de um gringo que “mulher brasileira é problema”

Gente, neste dia eu fiquei tão puta. Generalizar sempre é um grande problema!

38- Não bebi por educação

No perfil da minha host tava escrito que ela não gostava de bebidas alcoólicas, então resolvi respeitar.

39- Me pararam na praia pra oferecer drogas

“Olá, vocês vieram para a festa? Curtem drogas?”… Oi?

40- Fiz canapés dignos de sessão de fotos de buffet

Café da manhã da Guest House – Foto by Évelin Karen

Este meu primeiro Worldpackers foi muito sucesso. Nem eu sabia que fazia uns quitutes tão finos.

41- Lavei uma parede

Quem me segue no Insta viu que eu lavei a parede com: um pano, uma vassoura, uma escovinha de roupa, um borrifador, uma mangueira e por último tive que pintar.

42- Cuidei de um jardim

Eu, super inocente, achava que cuidar de um jardim era só jogar água com um regador. Triste ilusão! Bora colher folhas secas, podar ramos e mexer na terra;

43- Tive medo de dormir em um lugar por achar que estava amaldiçoado

A imaginação deste ser humaninho vai longe… – Montagem by Évelin Karen

Pela primeira vez eu me senti como o Chaves naquele episódio que ele entra na casa da Bruxa do 71. Dormi rezando!

44- Vi e visitei castelos e palácios

Dos filmes para a vida! Super fiquei imaginando como era viver nestes lugares anos atrás! As vezes parecia que eu estava num sonho, mas era vida real!

45- Senti medo por ser estrangeira

Isso já aconteceu algum vezes, como quando um cara gritou comigo dentro do ônibus porque eu estava ocupando muito espaço com as minhas mochilas (e ele queria sentar ao meu lado mesmo com diversos assentos livres);

46- Fui parada pela polícia em local público e me pediram documentação

E mesmo estando com tudo em dia fiquei com medo de alguma coisa dar errado.

47- Fiquei mais encantada com o concreto e a arquitetura de uma cidade que com as belezas da natureza de uma praia

A cidade de Valência me encantou muito! Desde o primeiro dia eu me perco e me encanto em cada ruazinha que entro. Mas confesso que quando cheguei na praia fiquei um pouco #chateada

48-Percebi que quando encontramos brasileiros em outro país, mesmo que por alguns minutos, nos sentimos em casa

Eu amo meu país, apesar dos pesares, e também amo meus patrícios! Brasileiros nos fazem sentir em casa em qualquer lugar do mundo.

49- Vi que uma cerveja pode custar mais barato que uma água

Como pode água com cevada ser mais barata que água pura? Alguém me explica?

50- Pude conhecer novos lugares de acordo com o olhar de locais e não apenas com sugestões encontradas em guias de viagem, blogs ou Google

Portimão – Algarve

Tá aí uma vantagem de fazer work exchange. Os hosts apresentam aqueles lugares que eles mais gostam e que, não necessariamente, são os mesmos que os turistas frequentam.

Ainda tem muita trip pela frente e a dúvida é: será que no próximo mês terei vivido mais outras 50 “primeira vez”?