Meu sabático de 100 dias – Capítulo 4 – Adiós Marrocos!

Meu sabático de 100 dias – Capítulo 4 – Adiós Marrocos!

Dizem que nosso sexto sentido costuma funcionar melhor quando estamos viajando e para mim isso é super verdade. No meu último dia em Marraquech eu quis ir logo de manhã na estação de trem para comprar meu bilhete de volta para Casablanca, mas o funcionário do hostel disse que não era necessário, pois os bilhetes não acabavam assim tão fácil. De fato, se eu tivesse ido comprar na hora  eu teria conseguido, mas também teria perdido o horário do trem e, consequentemente, perderia o meu voo, causando grandes transtornos nestes meus últimos momentos de “adiós Marrocos”.

Fato é que eu aproveitei que o sol ainda não estava tão forte para fazer aquela caminhadinha marota de 40 minutos até a estação que seria palco do golpe. Sim, mesmo lendo diversos relatos, tudo aconteceu muito rápido. Acabei sendo enganada pelo atendente, pois ao pedir minha passagem e entregar o dinheiro ele ficou pedindo mais dinheiro, mais dinheiro, além de estar super irritado e não fazendo o mínimo esforço pra falar inglês. Eu, muito da iniciante, fui dando tudo o que eu tinha pra ele, 300 dirhans, até mostrar que não tinha mais nada. No final das contas ele me deu o bilhete, 21 dirhans de troco e começou a atender um outro homem super acelerado. Saí da estação um pouco chateada por ter gastado mais do que eu esperava, já que no caminho de volta iria passar no Carrefour para comprar umas guloseimas, minhas refeições do dia e se sobrasse pagaria um táxi para fazer meu transfer. Acabei comprando um pacote de batata, uma água, um iogurte, uma bolacha e isso seria tudo o que eu tinha até a manhã seguinte (quando eu poderia comer o lanchinho do avião). Ok, você ainda não entendeu a parte do golpe, mas te conto mais adiante.

Voltei para o hostel, tomei meu último banho, arrumei minhas coisas, enrolei um pouco, coloquei minhas mochilas e parti para a estação a pé, novamente, num sol de mais de 34 graus. Já não tinha mais dinheiros para o taxi, então saí com umas quatro horas de antecedência para parar no caminho quantas vezes fossem necessárias.

Cheguei na estação morta, suada, mas passando bem. Passei algumas horas ali olhando o movimento, comendo minhas besteiras e esperando dar o meu horário de embarcar. Desta vez não tive dificuldades de localizar meu assento, que ficava numa cabine com outras 3 pessoas. Aos poucos Marraquech ia ficando para trás, assim como minha curta jornada pelo Marrocos. Eis que meus pensamentos são interrompidos pelo fiscal que veio conferir os bilhetes. Foi nesta hora que eu olhei com mais atenção para tudo que estava escrito ali e percebi um “179”. Fiquei matutando, pensando o que aquele número poderia significar e quando suspeitei que poderia ser o valor do bilhete o sangue já subiu. Na dúvida, perguntei para uma das meninas que estava na minha cabine e falava inglês e ela confirmou: sim, a passagem custava 179 e não 279 como aquele querido atendente tinha me cobrado.

Sei que este tipo de situação acontece em vários lugares, até mesmo aqui no Brasil com turistas estrangeiros, mas existem sim formas de evitar este tipo de problema. No meu caso, eu até classificaria este golpe como burrice da minha parte, pois eu deveria: 1- ter pesquisado o valor da passagem previamente e já levar o dinheiro contado, 2- Na dúvida eu deveria ter aberto a minha boca e no mínimo perguntado, já que eu não tinha certeza do valor da passagem. Além disso, eu poderia ter comprado a passagem pelo site da ONCF e mostrado o meu ticket pelo celular. Mas, ficou aí o aprendizado para nas próximas viagens eu prestar mais atenção.

Estação de Marraquech – Foto by Évelin Karen

Vida e viagem que seguem! Fiz a devida baldeação e em pouco tempo estava em Casablanca. Para entrar no aeroporto é necessário passar pelo raio x que fica com uma filinha considerável quando chega algum trem, mas como eu tinha uma noite inteira para esperar até chegar a hora do meu voo acabei sentando em um dos banquinhos, deixando a geral passar. Quando chegou a minha vez, eis que sou parada e questionada “o que é isso na sua mochila?”. Se você ainda não sabe desta história, contei mais detalhes no post “Marrocos: 10 curiosidades da minha passagem por lá“, mas no final deu tudo certo e consegui passar sem grandes problemas.

E eis que passo a minha primeira noite no aeroporto. Consegui usar o wi-fi de graça por uma hora, aproveitei para escrever, fazer cruzadinha, olhar o painel de voos diversas vezes e, em alguns momentos, até consegui dar uns cochilos, sempre abraçada com a minha mochila de ataque e com as alças do meu mochilão enroladas nas minhas pernas. Foi uma noite tranquila, mas logo de manhã o que vi foi o caos. Grandes filas, pessoas sem educação furando fila, gritaria, briga e uma energia bem pesada. Deve ser por conta disso e do golpe da passagem que eu acabei indo embora com uma imagem não muito boa. Costuma ser sempre assim: os momentos bons acabam sendo ofuscados pelos ruins.

E na verdade, neste momento também sinto que ainda não consegui me conectar a esta viagem. Até penso que se eu não passar na imigração na Europa será um livramento, pois tenho me sentido um peixe fora d’água nesta história de sabático. Já até estou cogitando ver os valores para eu antecipar meu voo de volta. O plano de conhecer o Marrocos era para visitar o Deserto do Saara e não rolou. Depois o plano era o Sabático de 100 dias, mas e se for menos dias? Está tudo bem, não é mesmo? Não quero me forçar a fazer algo que não está me deixando feliz ou não é como eu sonhei. Mas vamos ver como serão os novos capítulos desta jornada. Finalmente guardo meu caderno e embarco. Adiós Marrocos. Próximo destino: Porto, Portugal. Será que conseguirei entrar?

E nestes primeiros dias de viagem me surgiu a questão: será que vale a pena todo o perrengue, economia e baixo custo para viajar por mais tempo ou será que agora que eu vi como é prefiro encontrar um emprego bom para fazer uma boa e rica viagem de férias? O que vocês acham?

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Marrocos: 10 curiosidades da minha curta passagem por lá

Se você está aqui acompanhando minha saga, já conferiu que eu comecei o Meu Sabático de 100 dias em terras marrroquinas. Já contei pra você por aqui tudo o que você precisa saber antes de ir, também dei 7 dicas para você curtir sua viagem e agora chegou a vez de contar 10 curiosidades desta minha curta passagem pelo Marrocos. Bora conferir?

1- A Argan Tree é de verdade?

Olha, que ela existe isso eu posso afirmar, mas se aquilo tudo é a realidade ou uma grande armação eu ainda não sei dizer. Mesmo com o guia explicando que os bichinhos sobem na árvore porque são atraídos pelo cheiro do fruto eu fiquei muito desconfiada e ainda acho que os animais são explorados ali diariamente por conta do turismo (me provem o contrário, por favor);

Argan Tree – Foto by Évelin Karen

2- Sobre cerveja marroquina? 

Dizem que se você procurar encontrará, mas eu nunca nem vi! Na verdade eu sabia que era difícil encontrar bebida alcoólica no Marrocos, mas confesso que nem procurei muito. Se tivesse no meu hostel seria ótimo, mas…

3- Amante de Nutella?

Se você gosta de Nutella irá adorar os biscoitos de avelã que eles vendem por lá. São aqueles wafers em embalagens individuais que deixam a gente com vontade de devorar vários pacotinhos de uma só vez (chocólatras me entenderão). Paguei 7 dirhans numa lojinha de conveniência, mas depois achei até por 4 nos comércios locais. 

4- A comida é boa?

Dizem que o tal Tagine é uma delícia, mas eu não provei. Depois que tive intoxicação alimentar na Bolívia fiquei meio com um pé atrás para experimentar comidas novas. Se você não experimentar nunca saberá… eu preferi não saber (mas confesso que me arrependi e este é um hábito que quero muito trabalhar, pois quero treinar meu paladar para experimentar comidas novas). Eu gostei bastante do chazinho deles e dos biscoitinhos que eu comprei num comércio local em Essaouira. Além disso, também reparei que o iogurte de morango não é rosa igual os daqui do Brasil (o deles é branco e bem menos doce).

Biscoitos de Essaouira – Foto by Évelin Karen

5- O que é isso na sua mochila?

Quem acompanhou minha viagem no Instagram sabe bem do que estou falando. No dia que eu estava indo embora, tive que colocar minhas mochilas para passar no raio x para entrar no aeroporto de Casablanca. Eis que o policial mostra um retângulo escuro na minha bagagem “o que é isso? Chocolate?”, mas não: era minha caixa de paçoca que levei para presentear as pessoas queridas que eu encontrasse durante meu sabático. É claro que ele achou que eram drogas e eu tive que fazer o esforço de comer uma pra mostrar que era comida de verdade. No final das contas o policial saiu super meu amigo e ainda ganhou um docinho para experimentar um pouquinho do gostinho brasileiro. 

6- É golpe?

Na estação de trem de Marrakech fui enganada pelo atendente e acabei perdendo 100 dirhans. Preste atenção, seja chata, pergunte várias vezes mas não fique com dúvidas. Uma marroquina me falou que é bem melhor comprar a passagem pelo site ou app para evitar este tipo de situação (que infelizmente acontece no Marrocos e em muitos países do mundo, como Brasil, por exemplo);

7- Cabelos oleosos? 

No Marrocos você passa longe deste probleminha (pelo menos eu passei). Pra que lavar os cabelos todos os dias se você está num lugar seco que tem o poder de deixar suas madeixas com o aspecto bonito? 

8- Posso me vestir do jeito que eu quiser?

Se você sabe que a maioria das mulheres cobrem mais o corpo usando rijab, djellaba, kaftan, não queira fazer a estrangeira moderna e usar saia curta e decote. Eu vi duas mulheres de biquíni na Ouzoud Falls e achei um absurdo, pois para mim isso é muita falta de respeito (mesmo porque você que é a intrusa na terra deles). Meu apelo é bem simples: respeite a cultura local, SEMPRE (e acho que a partir daí você consegue escolher o que deve vestir ou não).

9- Rolou assédio?

Pelo menos para mim, esta questão do assédio foi super tranquila. Porém, vale lembrar que em todos os dias que passei por lá optei por ter o meu corpo sempre mais coberto, seja utilizando calça ou blusas mais fechadas, além de não usar nada muito justo. Não vou falar que não teve um ou outro homem que falou alguma coisa enquanto eu passava, mas não foi nada fora do normal de assustador.

Uma coisa que me chamou a atenção foi quando eu parei para comprar 2 maçãs em uma banquinha de rua, pois a mulher me perguntou “é uma pra você e uma para o seu marido?”. Ver mulheres viajando sozinha é muito diferente pra eles, por isso acabei concordando com a senhora, mas depois comi tanto a minha maçã quanto a do meu marido fantasma.

Essaouira – Foto by Kassey

Só mais um adendo: quem me vê nesta foto mal sabe que tive que sair correndo desta porta porque o dono da casa me “atacou” jogando terra na minha cabeça. Se forem tirar fotos nas portas olhem para cima e fiquem espertas! #ficadica

10- Quanto eu gastei nesta viagem pelo Marrocos?

Colocando tudo na ponta do lápis eu gastei R$ 650,00 (133 euros naquela época), nos 4 dias que eu passei no Marrocos. Constam nestes valores 3 noites de estadia no For You Hostel, passeio para Ouzoud Falls e Essaouira, meus deslocamentos de trem Casablanca – Marrakech – Casablanca, alimentação (leia-se frutas, bolachas, salgadinhos, chocolates e água) e 1 bom e velho imã de geladeira (além dos 100 dirhans que o atendente me roubou).

No próximo post teremos o último capítulo do meu sabático em terras marroquinas onde detalho como foram minhas últimas horas por lá. Fique de olho!

Mas antes disso, diga pra mim: você sabe alguma curiosidade sobre o Marrocos que eu esqueci de mencionar? Compartilhe comigo!

Meu sabático de 100 dias – Capítulo 3 – Turistando no Marrocos

Meu sabático de 100 dias – Capítulo 3 – Turistando no Marrocos

E no primeiro dia real oficial de viagem o sol mal nasceu lá fora e eu já pulei da cama para começar a turistar no Marrocos. Mas antes foi hora de “experimentar” o meu café da manhã marroquino com direito a suco, chá, ovo, pão, manteiga geléia… e isso porque me hospedei em um hostel super barato (For you Hostel). Comi rapidinho, guardei as sobras pra mais tarde (coisas de mochileira) e em questão de segundos começava a aventura. Mal sabia eu que tinha chegado a hora de fazer uma coisa que sempre tive medo: subir numa moto. Foi minha primeira vez em uma moto (aliás, no primeiro mês deste sabático eu já tinha feito mais de 50 coisas pela primeira vez como já contei neste post aqui). Confesso que fui pega de surpresa, pois achava que eu iria a pé até o grupo do passeio, mas falaram pra eu subir na moto e eu só fui: tremendo, sem capacete e rezando pra sobreviver. Quem lê aqui pensa que eu fiz a motoqueira cruzando a cidade numa Harley, mas na verdade foram apenas uns 2 minutos que fizeram minha adrenalina subir a valer. 

Já na van, grudei meus olhos na janela para admirar o que via: pessoas, trajes, mesquitas e paisagens muito diferentes de tudo que eu tinha visto até então. Reparei num lugar que parecia uma lanchonete, com uma grande mesa externa, completamente cheia de homens. Isso me fez pensar por uns segundos qual seria o papel da mulher nesta sociedade. Será que elas só podem ficar dentro de casa cuidando das tarefas domésticas enquanto os homens podem sair para jogar conversa fora e fazer vários nadas?

Em poucas horas chegamos no nosso destino, a Ouzoud Falls, a cachoeira mais alta da África do Norte. A trilha é bastante tranquila, mesmo com um fluxo de pessoas razoável (lembrando que eu fui num domingo). Ao lado da cachoeira existem algumas cavernas e os mais corajosos costumam explorá-las. Outros optam por fazer um passeio de barquinho pagando 20 dirhans. Porém, a maioria prefere se deliciar tomando um banho gelado de cachoeira (e para a minha surpresa vi até gente de biquíni… turistas, é claro). O mais legal é que aqui as pessoas falam e eu não entendo lhufas. Mesmo estando num passeio em grupo acabei não me enturmando. Acredito que minha energia não estava das melhores e deve ser por isso que parecia que não estava, de fato, vivendo este momento. Talvez uma cerveja gelada me deixaria feliz, mas no meu hostel não tinha bar e eu já sabia que era bem difícil encontrar uma gelada por aqui.

Ouzoud Falls

O calor continua assim como as dúvidas deste sabático. Mostro os lugares com um sorriso, mas quando desligo a câmera me fecho em pensamentos tristes. Sei que tudo isso é um sonho sendo realizado, mas ouvi spoilers que tudo isso tende a ser difícil no começo. Enquanto as pessoas almoçam parei aqui para escrever e isso me ajudou a me sentir um pouco mais calma e mais leve. 

E quanto a comida? Não tive coragem de experimentar. Ontem almocei um bolinho que trouxe do avião e hoje comi um pão que guardei do café da manhã (vocês se lembram que eu falei das sobras, né? rs). Talvez eu jante um dos dois miojos que eu trouxe na mala, pois acho que não terei coragem de experimentar a culinária local. O tagine com batata parece um prato bem gorduroso (dizem que é só impressão minha). Na verdade eu não sei se meu estômago e organismo estão preparados para isso (e isso é uma coisa que eu realmente quero mudar em mim).

Ouzoud Falls – Foto by Évelin Karen

Antes de voltar para a van um acidente: vários homens carregam um outro homem ensanguentado em um cobertor. Ao que tudo indica ele foi pular na cachoeira e bateu a cabeça em uma pedra. Se morreu ou se viveu nunca eu saberei. Hora de subir a trilha e voltar para o carro, mas antes disso foi hora de ver alguns macaquinhos. 

Macaquinhos na trilha da Ouzoud Falls

Já no meu segundo dia de passeios pude conhecer um pouco de Essaouira. A viagem foi super confortável numa van com entrada USB, sem ninguém ao meu lado e na companhia de um grupo super tranquilo (com apenas um homem).

A primeira parada deste passeio foi na Argan Tree. Confesso que não fiquei muito confortável, pois para mim parecia que as cabras eram exploradas por dinheiro para que os turistas tirassem suas fotos Instagramáveis. Quando cheguei no hostel pesquisei um pouco a respeito e parece que elas sobem nas árvores atraídas pelo cheiro do fruto, mas eu ainda duvido (mesmo porque próximo a árvore fica um homem pedindo dinheiro dos turistas que tiram fotos ali).

Argan Tree – Foto by Évelin Karen

Depois paramos numa fábrica de Argan. Conhecemos todo o processo de produção artesanal do famoso óleo de argan, assim como de alguns cosméticos feitos desta matéria prima (tinha um óleo de jasmin mara, porém desde o começo da trip eu sabia que ia economizar o máximo possível e tinha que vencer as tentações de querer comprar tudo que eu via). Achei o processo manual sofrido e demorado: 6 dias para gerar um litro de argan… a imagem daquelas senhoras com as mãos judiadas não sai da minha cabeça. 

Produção do óleo de Argan – Foto by Évelin Karen

Voltamos para o carro, desta vez rumo a Essaouira. Só paramos mais uma vez rapidamente no alto da cidade para tirar foto numa espécie de mirante. Já na cidade, conseguimos aproveitar por 4 horas, explorando as ruazinhas da old Medina, o forte e a praia. O sol estava bem quente, mas o calor não estava terrível porque as vezes rolava uns ventos bem gelados. Logo de cara conhecemos o forte. Ali vimos uma diversidade de aves e o cheiro até lembrava o das Islas Ballestras no Peru.

Forte Essaouira – Foto by Évelin Karen

Depois foi hora de me perder na Medina. Achei as ruazinhas bem cinematográficas: portas coloridas, lojinhas com uma grande diversidade de artesanatos, lembrancinhas, roupas, lanchonetes, restaurantes e até peixe assado na rua. Passamos no mínimo duas horas ali e a sensação que eu tive é que quanto mais você adentrava na medina, menos turístico ela ficava: com menos lojas e mais moradores.

Essaouira Medina – Foto by Évelin Karen

Já na praia achei tudo muito estranho (para uma brasileira, é claro). Muitas pessoas de roupa tanto na areia quanto na água. A única coisa que se assemelhava a minha lembrança de praia brasileira era pelada que rolava na areia. Quanto a cor do mar, achei um pouco escura e até me lembrou a praia de Indaiá em Bertioga. Percebi que a maioria das mulheres não entram na água e as que se aventuram entram de calça e blusa de manga longa. Já os homens e crianças brincam a vontade. Diferente da cachoeira, na praia não vi ninguém usando biquíni (o que acho super certo, pois é uma questão de respeito). 

Essaouira Praia – Foto by Évelin Karen

Na volta do passeio paramos em uma loja de conveniência super cara, mas fugimos para viver uma experiência mais local. Aproveitamos que estava rolando uma feira de rua para dar uma breve volta antes de voltar para o carro e retornar para Marrakesh. A experiência da feira foi bem bacana: muita gritaria e preços super justos, até mesmo para nós turistas (digo isso pois nas lojas a maioria dos itens não tem preço e por isso eles te cobram um valor de acordo com a sua cara). 

No final das contas só consegui realizar estes dois passeios no Marrocos. Se eu tivesse que escolher um preferido certamente seria Essaouira, pois pude conhecer uma realidade totalmente diferente da minha cultura. Além disso, pude socializar com as meninas da van: conheci uma americana super gente boa, uma marroquina e uma família indiana que morava nos Estados Unidos.

Se você ficou curiosa para saber mais sobre esta minha aventura de turistar no Marrocos é só entrar nos destaques do meu Instagram. E se mesmo assim você tiver alguma dúvida sobre o meu passeio pode me perguntar aqui nos comentários, ok?

Turismo no Marrocos – O que você precisa saber antes de ir

Essaouira – Marrocos

Como muitos já sabem, o primeiro país que visitei no Meu Sabático de 100 dias foi o Marrocos. Confesso que minha maior motivação era conhecer o Deserto do Saara (o que acabou não acontecendo desta vez), porém acabei me abrindo ao novo e pude desvendar um pouco deste país de cultura rica, lugares encantadores, muitas cores, cheiros e sabores.

Antes de embarcar, tanto meus conhecidos quanto as pesquisas que eu fazia na internet estavam me deixando beirando o pânico. Sequestros, assédio, escorpiões… parecia que eu ia embarcar em uma viagem sem volta. Mas, fui com medo mesmo e em 4 dias de viagem pude me surpreender muito em terras marroquinas. 

E você? Também tem vontade de conhecer o Marrocos? Se estiver planejando sua viagem, confira aqui as principais informações que você precisa saber antes de embarcar nesta aventura em solo africano.

Onde fica o Marrocos?

O país está localizado na região norte do continente africano e é banhado pelo Oceano Atlântico e pelo Mar Mediterrâneo. Outro fato que chama atenção é que ele é o país africano que fica mais próximo do continente europeu, por isso muitos turistas que visitam a Espanha e Portugal acabam adicionando o Marrocos no roteiro.

Como chegar no Marrocos?

Se você busca um voo direto saindo do Brasil, a melhor opção é voar pela companhia Royal Air Maroc. Agora se você tem uns dias sobrando pode optar pela TAP, Ibéria ou Air France e ainda fazer um stopover em um destes Hubs (TAP: Porto, Lisboa, Faro; Air France: Paris; Ibéria: Madrid). Eu optei pela Air Maroc, pois fiz um voo direto para Casablanca. 

Minha experiência voando pela Air Maroc foi bem ok. O voo atrasou uma hora para sair de São Paulo, tivemos um jantar e um café da manhã, além de travesseiro, cobertor e uma mini necessaire de plástico com uma meia e um tapa olho. As poltronas possuem TVs individuais e entrada USB para carregar o celular.

No final das contas acho que valeu a pena. Aproveitei e comprei minha passagem para Porto com stopover em Casablanca com uma diferença no valor final da passagem de menos de R$ 100,00 (isso mesmo, pude conhecer dois países pagando pouquíssimo por isso).

De Casablanca a Marrakesh

Chegando no aeroporto de Casablanca eu desci um lance de escadas e já estava na estação ferroviária. Comprei meu ticket de trem saindo do Aeroporto até a estação Casa Voyageurs (Gare de Casa Voyageurs). Já na estação Casa Voyageurs comprei meu ticket com destino a Marrakesh (poderia ter comprados os 2 trechos no aeroporto, mas como o primeiro trem estava prestes a sair tive que fazer a compra em duas etapas).

Dica: é possível comprar o ticket de trem pelo site da empresa ONCF: é mais simples, seguro e assim você evita cair em golpes como aconteceu comigo (no dia que estava voltando de Marrakesh). 

Visto e imigração: como funciona?

Para nós brasileiros não é necessário visto solicitar um visto previamente para entrar no país. Na imigração você terá apenas que preencher um formulário e apresentar seu passaporte para que seja carimbado.

Qual é o idioma falado no Marrocos?

O árabe e o berbere são os idiomas oficiais. Na região de Casablanca e Marrakesh é comum ouvir pessoas se comunicando em francês, porém existem  algumas cidades no país onde é possível ouvir os locais conversando em espanhol também. 

Qual o dinheiro utilizado no Marrocos?

A moeda usada no Marrocos é o Dirham. Como depois eu iria passar uma temporada na Europa, acabei levando Euros para trocar por Dirhans apenas quando chegasse em Casablanca (sim, eu saí do Brasil sem nenhuma moedinha marroquina e não me arrependo por isso). No aeroporto existem várias casas de câmbio, então aproveitei e já troquei todo o dinheiro que eu pretendia gastar durante minha estada (em agosto de 2019 consegui trocar 100 euros por 1030 dirhans).

Como se vestir no Marrocos? 

No Marrocos as mulheres não são obrigadas a utilizar o hijabe, porém muitas marroquinas optam por utilizá-lo (pra quem não sabe, hijabe ou hijab é aquele véu que as mulheres usam para cobrir a cabeça). Quando saí do aeroporto eu resolvi amarrar um lenço na cabeça, porém alguns locais me falaram que não era necessário e eu acabei deixando de usar. Mesmo sem o lenço, durante todos os dias eu me vesti com calça ou saia longa, blusinha de manga ou alguma manga longa. Roupas curtas e decotes não faziam parte do meu dress code. Pra mim era uma questão de respeito a cultura deles, pois quem estava de intrusa ali era eu, não é mesmo? Até vi pessoas se vestindo como se estivessem passeando no verão de Paris, mas eu não recomendo.

Como é o clima?

Marrocos me lembra Deserto do Saaara que me lembra calor, muiiiito calor. Mas nem de sol e suor vive o país. Aliás, você sabia que em alguns lugares do Marrocos chega até a nevar? 

O clima do Marrocos é divido em 4 “zonas”: continental (no interior onde existem as áreas montanhosas), oceânico (em toda a costa ocidental), mediterrânico (região das montanhas do Rif e do litoral) e desértico (na região ao sul das montanhas do Atlas).

Quando ir?

Segundo a maioria dos blogs e sites de viagens, os melhores meses para visitar o Marrocos são de Março a Maio (durante a primavera) ou de Setembro a Novembro (durante o outono), pois nestes períodos o clima é mais ameno. O mês de agosto costuma ter temperaturas bem altas, por isso algumas agências deixam até de realizar o Tour para o Deserto do Saaara. Confesso que eu fui no mês de agosto e não morri! Enfrentei bastante calor em Marrakesh, até senti uma brisa fria quando visitei Essaouria, mas não visitei a região de deserto onde o calor é mais extremo.

Onde ir?

Não vai faltar atrações para você escolher: se encantar com a mais alta cachoeira do norte da África, a Ozoud Waterfall; ver a tal “árvore de cabras” na famosa Argan Tree (e ainda visitar uma fábrica de argan para saber como funciona a produção dos  produtos); curtir um dia de praia em Essaouira; se perder e se encontrar diversas vezes pela Medina de Marrakesh; conhecer a famosa Mesquita Hassan II na maior cidade do país, Casablanca; visitar algumas das cidades que foram cenários de filmes e novelas famosas (como Ouarzazate, conhecida como a Hollywood do Marrocos); ver um pôr do sol inesquecível nas dunas do Deserto do Saara… Vou parar por aqui, mas estes são apenas os principais passeios dentre as diversas atrações que o Marrocos oferece.

Quanto tempo ficar no Marrocos?

Eu fiquei apenas 4 dias e achei muito pouco. Minha sugestão é no mínimo uma semana para que tenha tempo de fazer o passeio de 3 dias e 2 noites no Deserto do Saara.

Preciso fazer seguro viagem para ir para o Marrocos?

Os viajantes que visitam o Marrocos não são obrigados a apresentar a documentação de seguro viagem, porém minha dica é: se você for, faça (ou reze para não ficar doente, senão você vai pagar MUITO caro por isso!

Eu fiz o meu seguro viagem pela World Nomads, pois foi o melhor custo x benefício que eu achei nas minhas pesquisas (ainda mais considerando que este era apenas o primeiro dos diversos países que eu visitei no Meu Sábatico de 100 dias).

O Marrocos é perigoso?

Eu acho que me senti mais insegura pela quantidade de quantidade de comentários negativos que eu ouvi antes de embarcar que de fato pelas situações que vivenciei. Posso falar que eu tive uma experiência positiva durante minha curta estada. Pra mim foi super tranquilo andar sozinha por Marrakesh e não tive nenhum episódio que me senti com medo. Falaram tanto da questão do assédio, dos homens que querem trocar mulheres por camelos, de pessoas que foram sequestradas e nunca mais foram encontradas, mas comigo graças a Deus foi tudo bem tranquilo. Mas é claro, como boa brasileira fique sempre alerta e tente evitar situações que te coloquem em risco (eu, por exemplo, não curto sair a noite e é claro que não saia pelas vielinhas do hostel sozinha quando estava escuro).

Vale a pena ir para o Marrocos?

Com certeza sim! Cruzar o oceano e ver que do outro lado existe uma cultura bastante diferente da nossa é uma experiência enriquecedora. Além disso, vale a pena conferir a beleza dos lugares destas terras africanas. Eu acho que não aproveitei muito, pois fiquei poucos dias e ainda não estava conectada à minha viagem. Espero em breve visitar o Marrocos para aproveitar ainda mais e compartilhar minhas experiências com vocês.

E aí? Partiu Marrocos? Marque nos comentários ou compartilhe este texto com as amigas que estão planejando curtir uma aventura marroquina.