Meu sabático de 100 dias – Capítulo 4 – Adiós Marrocos!

Meu sabático de 100 dias – Capítulo 4 – Adiós Marrocos!

Dizem que nosso sexto sentido costuma funcionar melhor quando estamos viajando e para mim isso é super verdade. No meu último dia em Marraquech eu quis ir logo de manhã na estação de trem para comprar meu bilhete de volta para Casablanca, mas o funcionário do hostel disse que não era necessário, pois os bilhetes não acabavam assim tão fácil. De fato, se eu tivesse ido comprar na hora  eu teria conseguido, mas também teria perdido o horário do trem e, consequentemente, perderia o meu voo, causando grandes transtornos nestes meus últimos momentos de “adiós Marrocos”.

Fato é que eu aproveitei que o sol ainda não estava tão forte para fazer aquela caminhadinha marota de 40 minutos até a estação que seria palco do golpe. Sim, mesmo lendo diversos relatos, tudo aconteceu muito rápido. Acabei sendo enganada pelo atendente, pois ao pedir minha passagem e entregar o dinheiro ele ficou pedindo mais dinheiro, mais dinheiro, além de estar super irritado e não fazendo o mínimo esforço pra falar inglês. Eu, muito da iniciante, fui dando tudo o que eu tinha pra ele, 300 dirhans, até mostrar que não tinha mais nada. No final das contas ele me deu o bilhete, 21 dirhans de troco e começou a atender um outro homem super acelerado. Saí da estação um pouco chateada por ter gastado mais do que eu esperava, já que no caminho de volta iria passar no Carrefour para comprar umas guloseimas, minhas refeições do dia e se sobrasse pagaria um táxi para fazer meu transfer. Acabei comprando um pacote de batata, uma água, um iogurte, uma bolacha e isso seria tudo o que eu tinha até a manhã seguinte (quando eu poderia comer o lanchinho do avião). Ok, você ainda não entendeu a parte do golpe, mas te conto mais adiante.

Voltei para o hostel, tomei meu último banho, arrumei minhas coisas, enrolei um pouco, coloquei minhas mochilas e parti para a estação a pé, novamente, num sol de mais de 34 graus. Já não tinha mais dinheiros para o taxi, então saí com umas quatro horas de antecedência para parar no caminho quantas vezes fossem necessárias.

Cheguei na estação morta, suada, mas passando bem. Passei algumas horas ali olhando o movimento, comendo minhas besteiras e esperando dar o meu horário de embarcar. Desta vez não tive dificuldades de localizar meu assento, que ficava numa cabine com outras 3 pessoas. Aos poucos Marraquech ia ficando para trás, assim como minha curta jornada pelo Marrocos. Eis que meus pensamentos são interrompidos pelo fiscal que veio conferir os bilhetes. Foi nesta hora que eu olhei com mais atenção para tudo que estava escrito ali e percebi um “179”. Fiquei matutando, pensando o que aquele número poderia significar e quando suspeitei que poderia ser o valor do bilhete o sangue já subiu. Na dúvida, perguntei para uma das meninas que estava na minha cabine e falava inglês e ela confirmou: sim, a passagem custava 179 e não 279 como aquele querido atendente tinha me cobrado.

Sei que este tipo de situação acontece em vários lugares, até mesmo aqui no Brasil com turistas estrangeiros, mas existem sim formas de evitar este tipo de problema. No meu caso, eu até classificaria este golpe como burrice da minha parte, pois eu deveria: 1- ter pesquisado o valor da passagem previamente e já levar o dinheiro contado, 2- Na dúvida eu deveria ter aberto a minha boca e no mínimo perguntado, já que eu não tinha certeza do valor da passagem. Além disso, eu poderia ter comprado a passagem pelo site da ONCF e mostrado o meu ticket pelo celular. Mas, ficou aí o aprendizado para nas próximas viagens eu prestar mais atenção.

Estação de Marraquech – Foto by Évelin Karen

Vida e viagem que seguem! Fiz a devida baldeação e em pouco tempo estava em Casablanca. Para entrar no aeroporto é necessário passar pelo raio x que fica com uma filinha considerável quando chega algum trem, mas como eu tinha uma noite inteira para esperar até chegar a hora do meu voo acabei sentando em um dos banquinhos, deixando a geral passar. Quando chegou a minha vez, eis que sou parada e questionada “o que é isso na sua mochila?”. Se você ainda não sabe desta história, contei mais detalhes no post “Marrocos: 10 curiosidades da minha passagem por lá“, mas no final deu tudo certo e consegui passar sem grandes problemas.

E eis que passo a minha primeira noite no aeroporto. Consegui usar o wi-fi de graça por uma hora, aproveitei para escrever, fazer cruzadinha, olhar o painel de voos diversas vezes e, em alguns momentos, até consegui dar uns cochilos, sempre abraçada com a minha mochila de ataque e com as alças do meu mochilão enroladas nas minhas pernas. Foi uma noite tranquila, mas logo de manhã o que vi foi o caos. Grandes filas, pessoas sem educação furando fila, gritaria, briga e uma energia bem pesada. Deve ser por conta disso e do golpe da passagem que eu acabei indo embora com uma imagem não muito boa. Costuma ser sempre assim: os momentos bons acabam sendo ofuscados pelos ruins.

E na verdade, neste momento também sinto que ainda não consegui me conectar a esta viagem. Até penso que se eu não passar na imigração na Europa será um livramento, pois tenho me sentido um peixe fora d’água nesta história de sabático. Já até estou cogitando ver os valores para eu antecipar meu voo de volta. O plano de conhecer o Marrocos era para visitar o Deserto do Saara e não rolou. Depois o plano era o Sabático de 100 dias, mas e se for menos dias? Está tudo bem, não é mesmo? Não quero me forçar a fazer algo que não está me deixando feliz ou não é como eu sonhei. Mas vamos ver como serão os novos capítulos desta jornada. Finalmente guardo meu caderno e embarco. Adiós Marrocos. Próximo destino: Porto, Portugal. Será que conseguirei entrar?

E nestes primeiros dias de viagem me surgiu a questão: será que vale a pena todo o perrengue, economia e baixo custo para viajar por mais tempo ou será que agora que eu vi como é prefiro encontrar um emprego bom para fazer uma boa e rica viagem de férias? O que vocês acham?

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Meu sabático de 100 dias – Capítulo 3 – Turistando no Marrocos

Meu sabático de 100 dias – Capítulo 3 – Turistando no Marrocos

E no primeiro dia real oficial de viagem o sol mal nasceu lá fora e eu já pulei da cama para começar a turistar no Marrocos. Mas antes foi hora de “experimentar” o meu café da manhã marroquino com direito a suco, chá, ovo, pão, manteiga geléia… e isso porque me hospedei em um hostel super barato (For you Hostel). Comi rapidinho, guardei as sobras pra mais tarde (coisas de mochileira) e em questão de segundos começava a aventura. Mal sabia eu que tinha chegado a hora de fazer uma coisa que sempre tive medo: subir numa moto. Foi minha primeira vez em uma moto (aliás, no primeiro mês deste sabático eu já tinha feito mais de 50 coisas pela primeira vez como já contei neste post aqui). Confesso que fui pega de surpresa, pois achava que eu iria a pé até o grupo do passeio, mas falaram pra eu subir na moto e eu só fui: tremendo, sem capacete e rezando pra sobreviver. Quem lê aqui pensa que eu fiz a motoqueira cruzando a cidade numa Harley, mas na verdade foram apenas uns 2 minutos que fizeram minha adrenalina subir a valer. 

Já na van, grudei meus olhos na janela para admirar o que via: pessoas, trajes, mesquitas e paisagens muito diferentes de tudo que eu tinha visto até então. Reparei num lugar que parecia uma lanchonete, com uma grande mesa externa, completamente cheia de homens. Isso me fez pensar por uns segundos qual seria o papel da mulher nesta sociedade. Será que elas só podem ficar dentro de casa cuidando das tarefas domésticas enquanto os homens podem sair para jogar conversa fora e fazer vários nadas?

Em poucas horas chegamos no nosso destino, a Ouzoud Falls, a cachoeira mais alta da África do Norte. A trilha é bastante tranquila, mesmo com um fluxo de pessoas razoável (lembrando que eu fui num domingo). Ao lado da cachoeira existem algumas cavernas e os mais corajosos costumam explorá-las. Outros optam por fazer um passeio de barquinho pagando 20 dirhans. Porém, a maioria prefere se deliciar tomando um banho gelado de cachoeira (e para a minha surpresa vi até gente de biquíni… turistas, é claro). O mais legal é que aqui as pessoas falam e eu não entendo lhufas. Mesmo estando num passeio em grupo acabei não me enturmando. Acredito que minha energia não estava das melhores e deve ser por isso que parecia que não estava, de fato, vivendo este momento. Talvez uma cerveja gelada me deixaria feliz, mas no meu hostel não tinha bar e eu já sabia que era bem difícil encontrar uma gelada por aqui.

Ouzoud Falls

O calor continua assim como as dúvidas deste sabático. Mostro os lugares com um sorriso, mas quando desligo a câmera me fecho em pensamentos tristes. Sei que tudo isso é um sonho sendo realizado, mas ouvi spoilers que tudo isso tende a ser difícil no começo. Enquanto as pessoas almoçam parei aqui para escrever e isso me ajudou a me sentir um pouco mais calma e mais leve. 

E quanto a comida? Não tive coragem de experimentar. Ontem almocei um bolinho que trouxe do avião e hoje comi um pão que guardei do café da manhã (vocês se lembram que eu falei das sobras, né? rs). Talvez eu jante um dos dois miojos que eu trouxe na mala, pois acho que não terei coragem de experimentar a culinária local. O tagine com batata parece um prato bem gorduroso (dizem que é só impressão minha). Na verdade eu não sei se meu estômago e organismo estão preparados para isso (e isso é uma coisa que eu realmente quero mudar em mim).

Ouzoud Falls – Foto by Évelin Karen

Antes de voltar para a van um acidente: vários homens carregam um outro homem ensanguentado em um cobertor. Ao que tudo indica ele foi pular na cachoeira e bateu a cabeça em uma pedra. Se morreu ou se viveu nunca eu saberei. Hora de subir a trilha e voltar para o carro, mas antes disso foi hora de ver alguns macaquinhos. 

Macaquinhos na trilha da Ouzoud Falls

Já no meu segundo dia de passeios pude conhecer um pouco de Essaouira. A viagem foi super confortável numa van com entrada USB, sem ninguém ao meu lado e na companhia de um grupo super tranquilo (com apenas um homem).

A primeira parada deste passeio foi na Argan Tree. Confesso que não fiquei muito confortável, pois para mim parecia que as cabras eram exploradas por dinheiro para que os turistas tirassem suas fotos Instagramáveis. Quando cheguei no hostel pesquisei um pouco a respeito e parece que elas sobem nas árvores atraídas pelo cheiro do fruto, mas eu ainda duvido (mesmo porque próximo a árvore fica um homem pedindo dinheiro dos turistas que tiram fotos ali).

Argan Tree – Foto by Évelin Karen

Depois paramos numa fábrica de Argan. Conhecemos todo o processo de produção artesanal do famoso óleo de argan, assim como de alguns cosméticos feitos desta matéria prima (tinha um óleo de jasmin mara, porém desde o começo da trip eu sabia que ia economizar o máximo possível e tinha que vencer as tentações de querer comprar tudo que eu via). Achei o processo manual sofrido e demorado: 6 dias para gerar um litro de argan… a imagem daquelas senhoras com as mãos judiadas não sai da minha cabeça. 

Produção do óleo de Argan – Foto by Évelin Karen

Voltamos para o carro, desta vez rumo a Essaouira. Só paramos mais uma vez rapidamente no alto da cidade para tirar foto numa espécie de mirante. Já na cidade, conseguimos aproveitar por 4 horas, explorando as ruazinhas da old Medina, o forte e a praia. O sol estava bem quente, mas o calor não estava terrível porque as vezes rolava uns ventos bem gelados. Logo de cara conhecemos o forte. Ali vimos uma diversidade de aves e o cheiro até lembrava o das Islas Ballestras no Peru.

Forte Essaouira – Foto by Évelin Karen

Depois foi hora de me perder na Medina. Achei as ruazinhas bem cinematográficas: portas coloridas, lojinhas com uma grande diversidade de artesanatos, lembrancinhas, roupas, lanchonetes, restaurantes e até peixe assado na rua. Passamos no mínimo duas horas ali e a sensação que eu tive é que quanto mais você adentrava na medina, menos turístico ela ficava: com menos lojas e mais moradores.

Essaouira Medina – Foto by Évelin Karen

Já na praia achei tudo muito estranho (para uma brasileira, é claro). Muitas pessoas de roupa tanto na areia quanto na água. A única coisa que se assemelhava a minha lembrança de praia brasileira era pelada que rolava na areia. Quanto a cor do mar, achei um pouco escura e até me lembrou a praia de Indaiá em Bertioga. Percebi que a maioria das mulheres não entram na água e as que se aventuram entram de calça e blusa de manga longa. Já os homens e crianças brincam a vontade. Diferente da cachoeira, na praia não vi ninguém usando biquíni (o que acho super certo, pois é uma questão de respeito). 

Essaouira Praia – Foto by Évelin Karen

Na volta do passeio paramos em uma loja de conveniência super cara, mas fugimos para viver uma experiência mais local. Aproveitamos que estava rolando uma feira de rua para dar uma breve volta antes de voltar para o carro e retornar para Marrakesh. A experiência da feira foi bem bacana: muita gritaria e preços super justos, até mesmo para nós turistas (digo isso pois nas lojas a maioria dos itens não tem preço e por isso eles te cobram um valor de acordo com a sua cara). 

No final das contas só consegui realizar estes dois passeios no Marrocos. Se eu tivesse que escolher um preferido certamente seria Essaouira, pois pude conhecer uma realidade totalmente diferente da minha cultura. Além disso, pude socializar com as meninas da van: conheci uma americana super gente boa, uma marroquina e uma família indiana que morava nos Estados Unidos.

Se você ficou curiosa para saber mais sobre esta minha aventura de turistar no Marrocos é só entrar nos destaques do meu Instagram. E se mesmo assim você tiver alguma dúvida sobre o meu passeio pode me perguntar aqui nos comentários, ok?

Os principais medos que me impediam de embarcar no meu sabático

Os principais medos que me impediam de embarcar no meu sabático

Quando surge o assunto “período sabático” o que costuma vir a sua cabeça? Se você é uma viajante como eu poderá pensar sobre paisagens paradisíacas, fazer novos amigos pela estrada e uma busca não só por novos lugares, mas também por nós mesmas, numa grande jornada de autoconhecimento. Sei também que algumas de vocês devem associar um sabático ao filme “Comer, Rezar, Amar” e eu não te julgo por isso rs. Tudo parece muito incrível, mas preciso te confessar uma coisa: até para tirar um sabático existem momentos de dúvidas, medos e muitas inseguranças.

No meu post anterior eu fiz uma lista com 10 medos, desculpas e pré conceitos que costumamos colocar como barreira para não tirar um sabático. Mas aqui resolvi contar um pouquinho mais sobre a minha história. Nestes meus 33 anos de vida eu passei no mínimo uns 20 anos sonhando em passar um tempo fora. Porém, quando parei para pensar quais eram os principais motivos que não me deixavam tornar este sonho realidade, acabei percebendo que as 3 perguntas que mais me tiravam o sono eram: 

1- “E se acontecer alguma coisa com a minha família?”

Este sim era meu maior medo: estar longe, do outro lado do oceano e receber alguma notícia de que algo aconteceu com um dos meus familiares. Conversei com algumas amigas que já passaram um tempo fora e com outras pessoas que me alertaram “Eve, se tiver que acontecer alguma coisa não adianta se você está do outro lado do mundo ou do outro lado da sua casa… vai acontecer e não temos muito o que fazer”. Confesso que foi muito difícil criar coragem e correr este risco, mas depois de muito pensar percebi que tinha chegado o meu momento, que eu precisava passar por esta nova experiência e confiar um pouco mais em Deus e nos meus instintos (e não é que deu certo?!).

2- “E se eu nunca mais conseguir um emprego?”

O medo de ficar desempregada costuma ser um dos maiores desafios a ser enfrentado nesta tomada de decisão. O número de desempregados no nosso país é assustador, por isso, estar empregada e pedir demissão para passar um tempo viajando parece ser loucura para muitos. Porém, cheguei num ponto da minha vida onde percebi que era hora de me colocar como prioridade pela primeira vez e, de fato, viver algo que eu sempre sonhei. “E se eu nunca mais arrumar emprego”? “Nunca” é tempo demais e certamente eu iria conseguir me virar fazendo uma coisinha ou outra, enquanto minha carteira não encontrasse um registro novamente.

3- “Mas… e meu cabelo? #comofas?”

Só quem é escrava das químicas sabe: quando a raiz do seu cabelo está crescendo tudo o que você mais quer é agendar uma hora no salão para dar um tapa na peruca e deixar as madeixas em dia. Agora quando você é preta, estar com o cabelo “desarrumado” pode te causar mais insegurança e medo, seja de olhares tortos em uma loja que você entra, até a situações constrangedoras de ter sua bolsa revistada (mas não vou entrar nesta discussão agora). Eu faço relaxamento há mais de 20 anos e nem lembro mais como é meu cabelo sem química. A cada um mês e meio, no máximo dois, corro no salão e passo no mínimo duas horas neste ritual de “libertação capilar”. Sempre que eu pensava em passar um tempo mais longo fora do país vinha a dúvida “mas o que eu vou fazer com o meu cabelo? A raiz vai crescer, vai ficar tudo arrepiado, vou ter vergonha, vou ficar feia” etc, etc, etc. Agora que já fui e voltei percebi que este era o meu medo mais besta. A raiz cresce, o cabelo não fica do jeito que a gente mais gosta, mas isso não faz a menor diferença quando você está curtindo o seu momento. Não vou dizer que não rolaram momentos de preconceito na viagem porque estaria mentindo, porém tenho certeza que a culpa não foi do meu cabelo. Por isso ficou aqui o aprendizado e ouso aqui te questionar: é melhor estar com o cabelo arrumado no seu sofá e sem sair da sua zona de conforto ou estar com o cabelo arrepiado mas admirando os alpes suíços e realizando os seus sonhos por este mundão afora? Agora já tenho certeza que a opção 2 se encaixa melhor no meu perfil.

No final das contas percebi que os motivos que eu tinha para tirar um sabático eram muito mais importantes e relevantes que os medos que eu alimentava. E você? O que te impede de tirar um sabático? Por que você tem adiado a realização dos seus sonhos?

Ter um período sabático é possível? Medos, desculpas e pré conceitos

Ter um período sabático é possível? Medos, desculpas e pré conceitos

O mês de dezembro costuma ser um período de bastante reflexão! Época que muitos param para pensar sobre as conquistas do ano que está finalizando e começam a traçar os planos para o próximo que irá começar. E você? Faz tipo deste clubinho reflexivo ou é destas que não curte ficar pensando muito a respeito? Sei que já estamos em maio, mas nestes tempos de confinamento tem muita gente aproveitando para repensar não só as atitudes como o estilo de vida que tem vivido até então. Confesso que durante 31 anos da minha vida fiz parte do segundo clubinho, mas fiquei feliz em estar aberta a mudanças. No final de 2018 eu tinha apenas uma certeza na cabeça “em 2019 passarei alguns meses viajando pelo mundo e terei meu tão sonhado período sabático”. Porém, para realizar este sonho, tive que vencer uma série de pensamentos sabotadores, medos e pré conceitos que travavam a minha viagem (e que eu sei que também bloqueia muita gente por aí). Por isso, resolvi escrever este texto para compartilhar minhas experiências e te inspirar a cair na estrada (depois que tudo isso passar, é claro)!

Mas o que é um período sabático?

Uma definição bem simples de período sabático é: um período de pausa na carreira profissional o qual podemos nos dedicar a outras atividades de interesse pessoal e ao autoconhecimento. No caso dos viajantes, estas “outras atividades” costumam ser ser viajar! 

Quanto tempo dura?

Eu já vi diversas discussões a respeito e nenhuma conclusão bem definida. Tem gente que acha que o sabático tem que ser superior a 6 meses de pausa, outros acham que pode ter 3 meses, 1 ano… Mas, acredito que cada pessoa sabe muito bem quanto tempo de pausa precisa ou consegue bancar. No meu caso, pude me presentear com pouco mais de 3 meses e curtir o Meu Sabático de 100 dias.

Quais são os principais medos, desculpas e pré conceitos que te impedem de tirar um período sabático?

Pra tornar este sonho do Meu Sabático de 100 dias realidade tive que desconstruir uma série de idéias da minha cabeça. Foi fácil? Não! Mas com muita pesquisa a gente acaba dando um jeito pra tudo e diluindo um pouco destas aflições. 

E foi pensando nisso que eu decidi listar aqui as 10 principais dúvidas com uma série de medos, desculpas e pré conceitos que martelam na cabeça e impedem muita gente de tirar um período sabático. Mas já te aviso que se você tiver foco, planejamento e dedicação poderá vencer não só estes como muitos outros medos que podem surgir no seu processo de decisão.

1- “Mas e se eu nunca mais conseguir um emprego?”

Acredito que um dos principais empecilhos na vida de quem quer tirar um sabático é o medo de sacrificar a vida profissional ao fazer esta escolha. A grande maioria das empresas não oferece opção do funcionário tirar uma licença não remunerada, ou seja, ou você se arrisca e pede demissão ou continua seguindo sua rotina sem viver esta experiência. 

Eu sei muito bem que nosso país vive um momento muito difícil, pra não dizer desesperador. Mas quando você pensa “nunca mais vou conseguir um emprego” não acha que “nunca” é tempo demais? Depois de tirar o meu sabático e realizar alguns voluntariados percebi que tenho outras habilidades que eu nem imaginava. Agora que eu voltei, obviamente procurarei jobs na minha área. Mas e se não rolar? Posso fazer freelas em hostels, em bares, restaurantes, pois sei que dou conta do recado (basta ter a oportunidade).

2- “Mas período sabático é coisa de gente rica!”

Você acha mesmo que eu sou filha do Rei do Gado? Eu estou mais é pro exemplo clássico de proletariada suburbana que acorda as 5 da manhã pra ir trabalhar e só chega em casa depois das 20:00 (aliás, esta é a história da minha vida nestes últimos anos). É uma rotina bem cansativa e estressante, mas quando a gente tem um objetivo definido conseguimos focar, estabelecer prioridades e parece que as coisas começam a fluir.

3- “Mas eu não tenho dinheiro!”

Minha filha, se planejar direito dá pra tirar um sabático sim, mas é claro que a vida é feita de escolhas. Não da pra viver uma vida cheia de regalias, sair todo final de semana, fazer comprinhas e gastar com qualquer coisa. Você precisa saber bem para onde está indo seu dinheiro, portanto listar todos os gastos e separar um valor que será guardado para o seu sabático todos os meses é fundamental. Além disso, estude formas de economizar para conseguir poupar mais dinheiro. 

4-  “Mas eu já sou uma pessoa econômica!” 

Tem certeza que não tem nenhuma despesa que pode ser eliminada da sua planilha de gastos e da sua vida? Eu cortei manicure, boteco e sempre pensava no mínimo 3 vezes antes de comprar qualquer coisa.

Agora, se você realmente não tem mais da onde cortar, uma solução é buscar formas de conseguir uma renda extra. Manja de cozinha? Que tal fazer bolos, brigadeiros, trufas, marmitas? Entende dos paranauês de escrever e redes sociais? Que tal procurar um freela em sites como o 99 Freelas? Pesquise com carinho que você pode encontrar uma forma de conseguir uma graninha extra utilizando uma de suas habilidades.

5- “Mas e se surgir uma emergência e eu não conseguir voltar?” 

E se não surgir? E se você morrer sem nem dar tempo da emergência existir… você acha que a vida terá valido a pena? Será que não é melhor arriscar e se preocupar com o problema apenas se ele, de fato, acontecer? #ficaaduvida

6- “Mas viajar para Europa é muito caro (que também pode ser substituído por: mas o dólar está caro, ou, mas uma passagem pra Ásia ou Oceania é muito cara, etc, etc, etc)”

Olha, eu não vou mentir: pra gente que ganha em reais é caro mesmo. Mas é um sonho possível de realizar, basta saber fazer escolhas. Durante meu sabático eu tentei economizar de várias formas: fazia minha comida ou comprava pronta no mercado para evitar gastar mais em restaurantes, lavava minha roupa no chuveiro (#quemnunca), deixava de pegar transporte público para passar horas caminhando e conhecendo as cidades… e foi assim que fiz meu dinheiro render tornando possível conhecer 12 países durantes os 100 dias.

7- “Mas eu não tenho tempo!”

Este é mais um assunto que você precisa analisar bem para tomar uma decisão. Eu senti no meu coração que era meu momento de me colocar como prioridade para realizar este sonho. Pode ser que no futuro você tenha tempo, mas não tenha saúde ou disposição para fazer os passeios que você sempre quis. E aí? O que você prefere?

8- “E se eu não souber me virar sozinha? E se eu me perder?”

Como assim “se virar”? Você vai viver uma vida “normal”, tirando que você terá toda a liberdade de fazer o que quiser, na hora que quiser e se quiser. É claro que antes de ir você precisa, no mínimo, pesquisar sobre a realidade do lugar que pretende visitar para saber se é seguro, assim como formas para realizar uma viagem mais tranquila. E uma coisa eu te digo: existem muitas pessoas boas no mundo que fazem de tudo para ajudar os outros, principalmente viajantes perdidos que precisam de auxílio. É bem provável que você se perca, mas soluções para resolver este problema não vão faltar (por exemplo: peça ajuda ou use aplicativos como Google Maps, Mapsme, etc). O que você não souber você aprende, simples assim (aliás, neste post aqui eu listei 50 coisas que eu fiz pela primeira vez no meu primeiro mês de sabático).

9- “E se eu não conseguir me comunicar? E se eu não fizer amigos? E se eu ficar sozinha?”

Já ouviu falar em mímica? Pois é, normalmente ela costuma funcionar. Uma coisa que eu aprendi na estrada é que é possível se comunicar mesmo quando não falamos o idioma do local onde estamos. Sorrisos, olhares, expressões e gestos, as vezes, dizem mais que mil palavras. Pude vivenciar isso na minha curta passagem pelo Marrocos. Meu francês era quase zero e meu árabe era totalmente zero, mas mesmo assim conseguia me comunicar com o moço da cozinha do hostel que era sempre muito gentil. Mesmo sem trocar uma palavra ele me ajudava a usar o fogão para ferver água pro meu miojo, entendia que eu não tomava café e por isso me dava mais suco e sempre demonstrávamos nossa gratidão e respeito com sorrisos sinceros.

Quanto as amizades, se você vai se hospedar em hostel já é meio caminho andado, pois não faltarão oportunidades para conhecer novas pessoas: seja dividindo mesa no café da manhã ou tomando uma cerveja e jogando conversa fora no bar do hostel. É bem provável que em alguns momentos você ficará sozinha, mas aproveite, pois pode ser que você perceba que você é sua melhor companhia.

10- “Tá bom Eve, mas e se eu for e não gostar?”

Sinceramente, eu acho bem difícil uma pessoa que tem o sonho de passar um tempo fora ir e não gostar Porém, caso isso ocorra, a resposta é bem simples: você pode voltar! É claro que esta decisão pode doer no seu bolso, mas você se lembra que eu já falei que a vida é feita de escolhas, não é mesmo? Antes de decidir se você deve voltar ou não pense bem sobre os reais motivos desta possível “desistência”. Do que você não está gostando? Não tem nada que pode ser feito para que você possa curtir mais a jornada? Talvez alterar o estilo da sua viagem ou os locais que está visitando? Pense bem antes de tomar qualquer decisão por impulso. Mas, em último caso, se não tiver jeito mesmo, eu acredito que se você decidir voltar pra casa encontrará seus familiares e amigos de braços aberto pra te receber (mas espero de verdade que isso não aconteça).

#ficadica

Quando for planejar seu sabático, converse com outras pessoas que já viveram esta experiência, pois assim você poderá ser mais assertiva nos seu planejamento. Se você está aí com a cabeça cheia de dúvidas, pode me mandar uma mensagem que farei o possível para ajudar. Agora, se você quiser um serviço de consultoria profissional eu super recomendo o site Sabático na Prática. A Dani e a Mari tem um passo a passo bem legal para te ajudar a tirar este seu sonho do papel. Além disso, no site delas tem vários materiais gratuitos que vão te ajudar muito durante todo o seu processo de sabático.

No meu próximo post (que já sai na próxima terça-feira), vou contar pra vocês quais eram os 3 principais medos que me impediam de realizar este sonho (e sei que serei julgada por muitos por conta do meu 3º da lista). Mas enquanto o post novo não vem conte pra mim: você tem vontade de tirar um período sabático? Se sim, para onde gostaria de ir?

Meu sabático de 100 dias – Capítulo 2 – O início da jornada

Meu sabático de 100 dias – Capítulo 2 – O início da jornada

23 de agosto de 2019

Sim, o último mês passou e eu nem vi. Parece que foi ontem que eu ouvi aquele chamado enquanto fazia a trilha da hidrelétrica a caminho de Águas Calientes. Depois de muito planejamento, economia e uma série de escolhas, finalmente tinha chegado a minha hora de partir.  Era a hora de começar o meu sabático.

“Mas por que Marrocos? Mas você vai sozinha pra lá mesmo? Eu ouvi dizer que eles sequestram mulheres? Já ofereceram camelos pela esposa de um amigo de um primo de um conhecido!”. Estes foram alguns dos vários questionamentos que algumas pessoas me fizeram antes que eu iniciasse minha jornada por este belíssimo país do norte africano. Como se não bastasse a incerteza de abandonar tudo e todos no Brasil, ainda tinha que lidar com meus medos, supostos fracassos e o risco de desaparecer em terras marroquinas. Nem preciso dizer que acabei deixando isso tudo de lado e apenas fui.

Cheguei no aeroporto de Guarulhos, fui fazer meu check in e guess what? Meu vôo iria atrasar uma hora. A vontade era tirar o band daid de uma vez: entrar no avião, chegar logo no primeiro destino e virar a chavinha do sabático na minha cabeça. Mas a vida, muitas vezes, não copia as fantasias da nossa cabeça. Confesso que, no final das contas, a espera nem foi tão longa (aliás, durante a viagem tive que aprender a esperar muito mais). Próximo do embarque fiz uma daquelas amizades instantâneas com uma mulher e o filho que estavam voltando para Portugal e iam fazer escala em Casablanca. Cinco minutos de prosa, passaporte, bilhete e “boa viagem”.

Como iniciei meu voo depois da meia noite, apenas jantei e adormeci. Esta seria a primeira das muitas noites mal dormidas da viagem. E não falo isso em tom de reclamação não. Aliás, durante este sabático pude conhecer vários tipos de noites mal dormidas, mas este assunto fica para outro post. Logo de manhã acordei, abri um pouco a janela e só pude ver aquela imensidão do mar. Estava sentada na última fileira da aeronave. De um lado a janelinha e do outro um brasileiro com quem pude bater papo para a viagem passar mais rápido. Ele estava indo para Portugal com o intuito de morar por lá, mas antes queria alugar um carro em Casablanca para conhecer algumas cidades no Marrocos. Ele falava apenas português, tentou embarcar sem passagem de volta (mas a Air Maroc não autorizou, por isso acabou comprando uma na hora), não possuía reserva de hotel, seguro viagem, nem nada que comprovasse o motivo de sua visita nestes paises. 

É muito louco isso, não é mesmo? Um dos meus maiores medos era ser barrada na imigração e por isso levava comigo uma pasta com todos os documentos possíveis e imagináveis para provar o meu forte vínculo com meu país, assim como motivos para voltar pra minha terra. Se este cara conseguiu ou não entrar em Portugal eu nunca saberei (eu sei, eu deveria ter pego o contato dele pelo menos pra contar o final da história pra vocês, mas… #mejulguem).

Ao chegar em Casablanca o choque veio primeiro na forma de um bafo quente. Eita calor da peste. Logo no desembarque um policial me questionou o motivo da viagem e quantos dias ficaria no país. Passei no raio X de buenas (li vários relatos de pessoas que tiveram problemas), passei pela imigração e já fiz amizade com duas cariocas que estavam indo para Fez. Partilhamos do mesmo perrengue de não falar francês nem árabe, compramos nossas passagens e embarcamos até a estação Casa Voyageurs onde nos despedimos e rumamos cada uma para o seu destino.

Falando em perrengue, o primeiro trem estava vazio, então sentamos no primeiro lugar livre que encontramos. Quando peguei o segundo trem para Marrakesh descobri que os assentos eram numerados. E pra eu entender os números dos carros e dos assentos? Primeiro tentei tirar satisfação com um cara que estava sentado no assento que tinha o mesmo número que o meu enquanto ele tentava explicar que meu carro era outro. Fiquei indo, voltando, subindo e descendo escadinha de vagão, escorreguei no piso molhado e quase caí… é claro que, pra ajudar, não encontrei nenhuma pessoa que falasse inglês para me ajudar. Pela primeira vez na minha vida eu me senti como uma estrangeira em um lugar estranho que ninguém consegue compreender o que eu falava. Mas no final, a boa e velha mímica me ajudou a encontrar meu assento e seguir para Marraquech.

Agora um parênteses: achei o trem no Marrocos bem diferente, pois nunca tinha viajado em um trem com cabines para 8 pessoas. Fechando o parênteses, quanto mais eu me afastava de Casablanca, mais eu notava a diferença de paisagem e me sentia mais próxima do deserto. Algumas horas depois eu desembarcava em Marrakesh e aí veio o segundo choque: um bafo ainda mais quente. Já era final de tarde, mas a temperatura lembrava Rio de Janeiro no verão em horário de almoço.

Esperei alguns minutos e encontrei o motorista que me levaria até o hostel. Sim, eu cheguei no Marrocos com muito medo e por isso acabei pagando caro num transfer de ida até meu destino final. Aproveitei os minutinhos no carro para admirar aquela cidade que parecia bem diferente de todos os lugares que eu já tinha visitado na vida. Entramos em várias ruelas e percebi que realmente tinha feito a melhor escolha por contratar o transfer, caso contrário eu iria me perder com toda a certeza do mundo. Fiz meu check in, conheci minha cama, companheiros de quarto e escolhi meus passeios dos próximos dias.

Confesso que quando escolhi ir para o Marrocos o maior motivo foi Deserto do Saara. Porém, como sou uma pessoa muito impulsiva, comprei minha passagem na louca sem saber ao certo quantos dias eu precisaria para conhecer o Saara. Resultado, meu tempo era curto demais para conseguir realizar este sonho que teve que ficar para outra oportunidade. No hostel conheci um brasileiro (e já fiquei felizona, pois é indescritível a felicidade que sentimos quando estamos fora e encontramos “gente da gente”) que ia fazer o passeio para o Deserto de Zagora no dia seguinte. Até cogitei mudar meus planos, mas acabei mantendo os meus passeios ao invés de conhecer aquele que não era o deserto #realoficial dos meus sonhos. 

Tomei um banho para aliviar a tensão, fiz comprinhas de suprimentos em um mercadinho que tinha perto do hostel e finalmente sentei para tentar compreender que, agora sim, o meu sabático tinha começado. Felicidade? Alegria? Não! Chegou a hora do terceiro e mais forte choque. Senti um misto de nó na garganta e um medo gigante de ter feito uma grande cagada na vida. “Mas por que diabos eu não peguei 30 dias de férias e caí na estrada? Pra que passar tanto tempo fora de casa? Sabático pra que? O que que eu tô fazendo aqui? Será que eu tô ficando louca?”. Mais lágrimas rolaram. Lembra daquela Eve corajosa que pediu demissão? Parece que fugiu e deu espaço para Eve pessimista entrar em ação. 

Sequei as lágrimas, respirei, fui pra cama, lutei contra o fuso e adormeci. O amanhã seria um novo dia e eu precisava dar uma chance para mim mesma e para este meu sabático. Não era mais hora de sonhar acordada, pois finalmente tinha chegado a hora de viver o meu tão esperado sonho.    

O que fazer no Marrocos: 7 dicas para curtir sua viagem!

Cores, cheiros, sabores… estas são algumas das diversas características que se destacaram bastante durante minha curta passagem pelo Marrocos.

Considerado um dos destinos mais visitados da África, o país conta com uma vasta opção de roteiros para conhecer e se encantar. Está pensando em ir pra lá? Neste post aqui, eu separei as principais informações para você planejar a sua viagem pra lá. Mas aí você me pergunta: o que fazer no Marrocos? Então se liga porque eu listei 7 dicas imperdíveis para você curtir sua trip por lá. SPOILER: tem dica bônus no final deste texto 🙂

1- Conheça a cachoeira mais alta da África do Norte

Ouzud falls
Cachoeira Ouzud – Foto by Guia

A cachoeira Ouzoud é a mais alta da parte norte do continente Africano, por isso atrai centenas de turistas diariamente. É preciso percorrer uma trilha leve para conhecer as cascatas de vários ângulos e super vale a pena este pequeno “esforço”. Além disso, neste tour pela cachoeira é possível contratar os serviços de um dos barqueiros que levam os turistas mais próximos da queda d’água, sentar numa das pedras para admirar a paisagem, comprar lembrancinhas nas diversas lojinhas ou experimentar a culinária local em algum dos poucos restaurantes disponíveis por ali.

2- Experimente a culinária Marroquina

Se você é daquelas que curte experimentar as comidas dos países por onde passa, não poderá deixar de comer o famoso Tagine e Cuscuz Marroquino. Aproveite e sinta os gostinhos das diversas especiarias que dão sempre um toque especial aos pratos. E para beber? O famoso Chá de Menta servido a toda hora e em todos os lugares. E se você curte o assunto gastronomia, a Nataly Lima do Blog Já Fez as Malas escreveu um post bem legal sobre comidinhas marroquina.

3- Visite uma Medina

Medina Essaouira
Medina Essaouira – Foto by Kasey

Mas o que seria uma Medina? Trata-se de uma espécie de centro urbano protegido por uma muralha, com ruazinhas que até lembram labirintos. Adicione nesta paisagem uma mesquita e um comércio diversificado: lojinhas de roupas, artesanato, restaurantes, lanchonetes… um grande mercado local que você pode percorrer e vivenciar  uma experiência única. Dentre as principais Medinas que você pode conhecer em sua viagem pelo Marrocos estão as das cidades de Casablanca, Essaouria, Fez, Marraquech, El Jadida e Rabat. 

4- Se encante com as cores, cheiros e sabores

As cores dos lugares no Marrocos costumam chamar muita atenção. São os artesanatos das lojinhas, as imponentes Mesquitas, as diversas especiarias que ficam em frente aos mercados (impossível não parar para curtir os aromas ou experimentar uma coisinha ou outra)… tudo chama bastante a atenção, fazendo o viajante grudar os olhos por onde passa. São estes pequenos detalhes que fazem com que sua estada em terras marroquinas fique marcada para sempre na memória.

5- Vá a praia

Essaouira
Essaouira – Foto by Évelin Karen

Veja como é ir a praia em uma país de cultura totalmente diferente da nossa. É muito interessante observar como é a dinâmica de um dia de praia no Marrocos. Eu vi mulheres totalmente cobertas tentando tomar sol na areia, enquanto  homens de bermuda e crianças brincavam no mar. Vivi minha experiência no litoral marroquino na cidade de Essaouira e super recomendo. Deu pra caminhar pela praia, sentar nas pedras e curtir a paisagem, conhecer o mercado de peixe e se deliciar tomando um sorvete enquanto me perdia pelas ruelas da Medina.

6- Faça o tour do Deserto do Saara

Grandes oasis que são cenário de um nascer e pôr do sol inconfundíveis. Dunas de areia dourada onde você pode deitar, admirar aquele céu estrelado digno de sonho e literalmente montar seu acampamento para passar uma noite no deserto. Estas paisagens cinematográficas podem ser vistas facilmente no tour para o Deserto do Saara ( e esta é a dica mais comum quando surge a dúvida “o que fazer no Marrocos?”). Para fazer este passeio você precisa ter disponível pelo menos 3 dias e 2 noites (se te oferecerem um pacote com menos dias desconfie, pois nestes tours  eles costumam ir para um outro deserto menor que não é o Saara, ok?). Falando em cidade cinematográfica, este tour também costuma percorrer a cidade de Ouarzazate , também conhecida como a Hollywood marroquina, por ter sido cenário de dezenas de produções audiovisuais.

7- Descubra a famosa Argan Tree

Argan Tree
Argan Tree – Foto by Kasey

Quando fui para Essaouira paramos na famosa Argan Tree. Nela você vê, literalmente, uma árvore de cabras. Segundo nosso guia, as cabras são atraídas pelo delicioso cheiro do argan e por isso sobem até a árvore para comer os frutos. Eu confesso que não gostei muito desta parada, pois para mim parecia muito que aqueles animais estavam ali sendo usados para atrair turistas que buscam fotos para atrair curtidas nas redes sociais (mesmo porque, bem próximo as cabras tinha um homem pedindo dinheiro quando via pessoas tirando fotos). Mesmo assim, acho que é válido conhecer.

BÔNUS – O que fazer no Marrocos: Converse com locais

Esta dica na verdade é mais um lembrete. Permita-se! Socialize e tente aprender um pouco mais sobre a cultura e os costumes dos lugares que você está visitando. Aproveite para interagir com todo o tipo de gente que estiver aberto ao diálogo: seja os funcionários do hostel, o vendedor do mercadinho ou o motorista da van. Certamente, estas pessoas têm muitas histórias para contar que poderão te proporcionar momentos memoráveis durante sua viagem. Afinal, viajar pode te apresentar novos lugares e te conectar a novas pessoas. 

Faltou alguma dica na listinha? Então compartilhe comigo nos comentários para que eu possa experimentar na minha próxima visita ao Marrocos.

Vai lá e Viaja 2020: o que rolou neste evento

Vai lá e Viaja 2020: o que rolou neste evento

No dia 25 de janeiro de 2020 rolou a 4ª edição do Vai lá e Viaja no Rio de Janeiro. O evento contou com 200 participantes e 9 palestras que aguçaram ainda mais o desejo incontrolável do viajante de cair na estrada.

Para alguns a viagem serve como pano de fundo e ferramenta de transformação, para outros é o combustível para produção de conteúdo ou criação de novos projetos de trabalho e de vida. Fato é que se você já curte viajar é impossível sair do evento sem aquela vontade louca de fazer as malas.

Cada um dos palestrantes conseguiu mexer comigo de alguma forma: a Cris Marques do @raizesdomundo falou sobre um tipo de expedição que há um tempinho tenho vontade de conhecer, as viagens vivenciais. O André @andresemfronteiras contou um pouco sobre as riquíssimas experiências que ele viveu na estrada, assim como os aprendizados pois nem sempre tudo acontece como planejamos e tá tudo bem! Já o Guilherme @naomeesperaprojantar nos divertiu com suas histórias de mochileiro roots (gente da gente) e ainda me deixou com mais vontade de atuar como guia de turismo (pra quem não sabe, sou credenciada pelo Ministério do Turismo como Guia).

A tarde foi hora de aprender um pouco mais sobre produção de vídeos com a Dani e o Lucas do @casal.rec, ver como conhecer diversos países tendo a viagem como prioridade de vida, além de vencer alguns pré conceitos com a Ana do @pelagalaxia, se inspirar com os números da Amandinha do @prefiroviajar que leva a viagem como um business real, oficial. Depois foi a fora de ver a primeira palestra da Aline e Renata do @mundosemmuros, que compartilharam conosco algumas experiências da estrada e números que impressionam (gastar pouco mais de 4 mil reais em uma viagem de 6 meses na Europa é para poucos, aliás, elas foram as pessoas que mais me inspiraram na realização do sonho do Meu Sabático de 100 dias. finalizamos com as palavras do organizador do evento, grande @vazaonde, que também deixou de lado uma profissão promissora para ganhar a vida no mundo das viagens.

No geral, o evento é uma grande confraternização de viajantes de diversas vertentes. E no final, nada melhor que curtir uma noite de temperatura agradável em terras cariocas tomando cerveja gelada no buteco mais próximo ao evento e trocando histórias com outros viajantes que acabamos de conhecer.

Pra completar o combo, na manhã do dia seguinte, o Vaz ainda organizou uma “excursão” até o Mirante Dona Marta para curtirmos o nascer do sol naquela vista incrível. Condição perfeita para sacar a câmera e já fazer fotos lindíssimas para rechear nosso feed. 

Mirante Dona Marta – Foto by @mundosemmuros

E é por isso que eu digo e repito: se você curte viajar, tente participar de pelo menos um evento desta área, pois eles costumam ser bastante inspiradores.

Lembrando que nos dias 7 e 8 de março acontecerá em São Paulo o II Encontro Brasileiro de Mulheres Viajantes. Já falei sobre este evento neste post aqui, mas se você tem interesse e ainda não comprou seu ingresso, clique aqui e bora trocar umas figurinhas de viagem nestes dois dias!

Bem vindos ao Eve from Mogi!

Chegou a hora de apresentar para vocês o meu novo eu: o Salada de Abobrinhas (blog), evezoca (Intagram), eveturisteira (Facebook) e até mesmo evelinthegirl (Twitter) viraram um nome só: Eve from Mogi!

Mas por que Eve From Mogi?

Acredito que quando pensamos em um nome precisamos criar algo que reflita um pouco sobre nossa personalidade ou quem somos, não é mesmo?

Quem me conhece sabe que eu amo minha cidade: Mogi, a terra do caqui, que apelidei carinhosamente de alpes mogianos. Amo viajar, mas amo mais ainda saber que sempre terei para onde voltar!

Então depois de muito matutar percebi que esta deve ser a minha identidade online.

E o que esperar deste blog?

No Eve from Mogi eu quero compartilhar tanto as minhas viagens, como experiências, paisagens, pessoas, histórias, destinos e as viagens que faço lendo um livro, assistindo um filme, conversando entre amigos… tudo aquilo que eu considero relevante, pois não quero me prender a um padrão.

E quem é a Eve?

Eu sou apenas uma rapariga latina americana, sem dinheiro no banco! Brincadeiras a parte eu amo escrever, viajar, conhecer novas pessoas, novos lugares e vivenciar novas experiências.

Então forma-se a equação:

Minhas viagens + vontade de escrever + desejo de compartilhar minhas aventuras com o mundo = meus canais de conteúdo!

Canais de conteúdo? Quais?

Atualmente o foco está em textos no blog, stories e posts no Instagram.

Também estou planejando e preparando uma série para o Youtube, pois nos próximos meses terei muito material para compartilhar com vocês. Fiquem de olho e me aguardem!

O fim de uma era

E depois de 6 anos, eis que finalizo as atividades do meu Blog Salada de Abobrinhas.

Em janeiro de 2008 resolvi começar a transformar em textos alguns dos pensamentos que martelavam na minha cabeça.

Já em 2013 mudei a proposta do blog para focar em viagens, turismo e lazer.

Foi bom enquanto durou, mas… as coisas mudam e eu também precisei mudar: de endereço, de nome, de formato…

Ficou curioso? Em breve tem novidade no ar!

Por hora fica aqui meu agradecimento: muito obrigada Salada de Abobrinhas por deixar eu me expressar sem medo de ser feliz!

10 curiosidades sobre o Uruguai by Eve

O Uruguai é um país super pequeno, mas cheio de culturas e encantos. Nos posts anteriores falei um pouco sobre minha experiência em terras urugauias e awui separei pra vocês 10 curiosidades que me chamaram a atenção.

– “Sanatório” no Uruguai são os hospitais particulares (não pensem que são hospícios);

– Produtos como Kolynos, Lays, Oreo e Milka são vendidos em todos os lugares (porque aqui é difícil de encontrar e há anos a Kolynos virou Sorriso);

– Os venezuelanos da Herbalife no hostel estavam tentando conquistar novos territórios, pois parece que lá a marca ainda não é forte. Já aqui no Brasil…


– Levar pesos uruguaios do Brasil, normalmente, não vale a pena. Até no aeroporto de Montevidéu você consegue comprar moeda local mais barata (sem contar que em muitos lugares é possível pagar com reais ou dólares);

– Encontrei uma carioca muito louca no ônibus turístico que foi pra Montevidéu com a amiga hipponga que, obviamente, fez amigos maconheiros e estava toda feliz porque lá é tudo liberado;


– Segundo a gravação que eu ouvi no ônibus turístico, Montevidéu é a capital mais verde da América Latina;


– Quando chegamos na imigração do aeroporto de lá temos painéis informando o número do guichê, já aqui em Guarulhos temos uma pessoa gritando os números parecendo um narrador de bingo enquanto os atendentes que estão livres também se esguelam para que a fila ande;


– Achei a quantidade de pobres proporcionalmente pequena se compararmos com as grandes metrópoles brasileiras;


– Minha primeira impressão foi: frio e fight. No ônibus para Punta dois homens discutiram feio por causa daquela divisão entre os assentos que todo mundo quer encostar o braço… Foi preciso que o juiz (cobrador) entrasse na luta e quase que rolou cartão vermelho;


– Em Punta del Este as residências possuem nome e não existe nome de ruas;


E este, por hora, foi meu último post sobre o Uruguai, mas espero em breve voltar e trazer mais fotos, histórias e curiosidades!